Ao tropel do cavalo Blackie, chega o Vingador Palmolive
2007
Luiz Artur Ferraretto

– Sintonizam a mais poderosa emissora rio-grandense, a Rádio Farroupilha, de Porto Alegre. E atenção para a hora certa. Na capital gaúcha, precisamente 17 horas e 45 minutos.

Na sequência, o gongo reforça a precisão da hora certa e o operador da mesa de áudio da PRH-2 coloca para rodar mais um disco de acetato de 78 rotações com o episódio do dia de O Vingador:

– Neste horário, num oferecimento do Sabonete Palmolive, passamos a apresentar... [característica musical do programa] as sensacionais aventuras do Vingador, seu rápido cavalo Blackie e seu inseparável e fiel companheiro Calunga.

O tropel vai crescendo, fundindo-se à trilha musical, e ouve-se a voz do próprio Vingador:

– Eioooouuuu Blackie...

Nos anos 1940, entre outras produções para a gurizada, O Vingador atiça a imaginação dos seus ouvintes como um complemento de luxo das matinês com filmes de bangue-bangue e dos quadrinhos do Gibi ou do Globo Juvenil. O personagem, no entanto, constitui-se numa cópia de outro sucesso radiofônico dos Estados Unidos – The Lone Ranger, mal-traduzido no Brasil como Zorro, em uma confusão com o personagem criado por Johnston McCulley. Neste caso, o produtor Péricles do Amaral criou correspondentes para o cavalo Silver – e a frase “Eioooouuuu Silver...” – e o índio Tonto. A estratégia da agência Standard, detentora da conta publicitária da Colgate-Palmolive, inclui a criação do Clube do Vingador. Os jornais publicam um cupom com um juramento que deveria ser subscrito pelo candidato a sócio – “Juro ser sempre honesto e defender os fracos contra os fortes!” – dando direito ao distintivo do Vingador de aço esmaltado em cores, a um jornalzinho mensal de seis páginas com aventuras em quadrinhos desenhadas por Fernando Dias da Silva e a uma senha secreta trocada a cada mês, permitindo que os sócios se identificassem entre si.

Distintivo do Clube do Vingador distribuído pela Colgate-Palmolive (anos 1940)
Fonte: O Grupo Juvenil, Porto Alegre, ano 1, n. 2, p. 17, dez. 1983.

Trecho da história em quadrinhos O Vingador contra o feiticeiro (anos 1940)
Fonte: O Grupo Juvenil, Porto Alegre, ano 2, n. 4, p. 16, ago. 1984.

Na época, além da Farroupilha, transmitem O Vingador as rádios Tupi e Cultura, de São Paulo; Tupi, do Rio de Janeiro; Guarani, de Belo Horizonte; e Clube de Pernambuco, de Recife. O programa vai ao ar de segunda a sábado, das 17h45 às 18h. Péricles do Amaral produz, então, o seriado, que é gravado nos estúdios da Tupi paulista e, de lá, distribuído em acetato para as demais emissoras. Ouvinte assíduo na época, o colecionador de quadrinhos Frederico Jorge Barwinkel lembraria com saudade, nos anos 1980, em seu fanzine O Grupo Juvenil:

– Muitas vezes, o disco não chegava a tempo e o episódio anterior era então reprisado.

As reprises, com certeza, não afetavam a fascinação de ouvintes como Barwinkel. E vinha aquele tropel em crescendo e o grito forte de “Eioooouuuu Blackie...”.

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