Mostrando postagens com marcador Anos 1990. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anos 1990. Mostrar todas as postagens
Anos 1990
É a década em que a convergência começa a se manifestar, mas ainda com timidez. As emissoras preocupam-se mais em montar redes via satélite. A frequência modulada vai se firmando como a banda de maior quantidade de ouvintes. Nos anos 1990, deste modo, o rádio do Rio Grande do Sul prepara-se para as grandes transformações do século 21.

Destaques da década
A RBS passa a controlar a Rádio Cidade FM
Bira Valdez e a consolidação da marca Bandeirantes no Rio Grande do Sul
Luiz Carlos Reche e o esporte da Guaíba
Paulo Sérgio Pinto e a equipe de esportes da Rádio Pampa
Armindo Antônio Ranzolin e a Rede Gaúcha Sat
O Brasil é tetra: a cobertura da Gaúcha e da Guaíba nos Estados Unidos em 1994
Gaúcha Entrevista, o programa de rádio do professor Ruy
Lauro Quadros, dos gramados ao Polêmica
O domingo de Lauro Quadros
As memórias de Lauro Quadros em livro
Antônio Carlos Macedo e as alterações no Chamada Geral e no Gaúcha Hoje, por Bruno Pancot
Uma escola de samba no aniversário da Gaúcha em 1997
Rádio Rural e o projeto de segmentação em agrobusiness do Grupo RBS
A RBS passa a controlar a Rádio Cidade FM
2015
Luiz Artur Ferraretto
 
Anúncio da Rádio Cidade FM (março de 1985)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 22 out. 2003. p. 35.

Em meio à crise dos empreendimentos da família Nascimento Britto, que controla o Sistema Rádio Jornal do Brasil, a Rede Brasil Sul adquire, em 1990, a Cidade FM, de Porto Alegre, mantendo quase a mesma programação e chegando a retransmitir, mesmo após a mudança de proprietário, conteúdo gerado na antiga cabeça de rede, lá do Rio de Janeiro. Dois anos antes, tradicionais sucessos da concorrente chegam a se transferir para a Atlântida FM, como o programa Love Songs, que se transforma no Love 94, mantendo a fórmula baseada nas dedicatórias de músicas, geralmente, românticas, “as melhores emoções, as mais lindas canções” em uma “noite de muito amor”, na definição habitual do apresentador Arlindo Sassi. Em meio a boatos de que o objetivo da RBS é desarticular a Cidade, o que acontece, após a incorporação da emissora, demonstra as dificuldades do grupo em estabelecer uma estratégia definida para gerenciar de forma lucrativa duas estações em FM destinadas ao público jovem. De fato, concorrendo entre si, cada uma tira ouvintes da outra.
No ano de 1992, ocorre uma reestruturação da área de radiodifusão sonora da Rede Brasil Sul. O Sistema RBS Rádio fica sob a direção de Renato Sirotsky, com Armindo Antônio Ranzolin assumindo um cargo semelhante na Gaúcha, que ganha mais independência administrativa. Na época, já são fortes os indícios de que grupos de fora do estado – como Jovem Pan e Transamérica – voltam, crescentemente, suas atenções para o Rio Grande do Sul. Dentro de uma nova estratégia para o segmento musical jovem, a Atlântida, em termos de linguagem, aproxima-se das estações do centro do país. A apresentação torna-se mais gritada, com grande número de vinhetas. Do humorístico Pânico, da Jovem Pan FM, de São Paulo, em 1995, Renato Sirotsky traz Carlos Roberto Escova para integrar a equipe do Programa X, apresentado, de segunda a sexta, das 13 às 14h, horário em que se destacam os personagens e as tiradas satíricas dos radialistas Eron Felipe Dalmolin e Rogério Forcolen, tudo sob a intermediação de Alexandre Fetter, espécie de âncora da atração. No ano seguinte, o lançamento de um CD com músicas em tom de paródia marca o apogeu do Programa X, que, em abril de 1997, sai do ar. Um pouco antes, no primeiro semestre de 1995, com a Universal FM, da Rede Pampa, crescendo até atingir a liderança geral em junho, a direção da RBS contrata Mauri Grando, responsável pelo bom desempenho da emissora de Otávio Gadret, para redefinir o perfil da Cidade FM:

– Eles queriam ter uma rádio jovem popular, só que faziam uma rádio jovem popular só no nome. A programação continuava voltada para o Moinhos de Ventos. A unidade móvel não ia para a Restinga, ia para a avenida Goethe. E eu fui contratado justamente para dar um fim nesta história. A Atlântida e a Cidade estavam correndo muito juntas. Como a Atlântida era uma rede, a Cidade não conseguia recuperar a audiência perdida... No momento em que a RBS comprou, não soube o que fazer com a rádio. Então, me convidaram para realizar esse trabalho. E a orientação foi a seguinte: nós queremos fazer uma rádio para ser primeiro lugar. A Atlântida vai ser cada vez mais A e B, mais qualificada, e nós queremos uma rádio para pegar o primeiro lugar.

Mauri Grando (2001)
Fonte: E aí?, Porto Alegre, ano 1, n. 23, p.13, 30 nov.-6 dez. 2001.

Da Universal, com o novo coordenador de programação da Cidade FM, transferem-se, em seguida, os comunicadores Adriano Morais e, voltando depois de ter o Love Songs considerado ultrapassado no início da década, Arlindo Sassi. Até o final do ano, a Cidade ocupa o primeiro lugar nas pesquisas do Ibope e a Atlântida, o segundo. Antes das alterações, em maio, a emissora havia perdido o quarto lugar para a Liberdade, voltada ao regionalismo gaúcho. No segundo semestre, no entanto, a rádio da RBS desbanca, ainda, a Eldorado, também de Gadret, dedicada ao pagode, que cai para a terceira posição. A partir daí, a Cidade, voltando-se às classes B, C e D, recupera-se financeiramente e vai liderar, durante anos, a audiência na Grande Porto Alegre.

A Cidade FM chega, assim, ao início do século 21 com um público bem-definido – jovens de 15 a 19 anos das classes B, C e D – e tocando funk, baladas sertanejas, músicas românticas, enfim, tudo o que aparecer como sucesso nas paradas comerciais, nos pedidos dos ouvintes ou em programas populares de televisão. As ameaças à liderança da emissora  vêm de estações de público com faixa etária mais ampla, pertencentes à Rede Alegria de Rádios – Alegria FM –, à Rede Pampa – Eldorado FM e 104 FM – e ao Sistema Tartarotti de Comunicação (Sitarcom) – Metropolitana FM. Esta última é incorporada, tempos depois, em dezembro de 2004 à Rede Brasil Sul.


Bira Valdez e a consolidação da marca Bandeirantes no Rio Grande do Sul
2015
Luiz Artur Ferraretto

O panorama das empresas do atual Grupo Bandeirantes de Comunicação no Rio Grande do Sul – Rádio e TV Portovisão Ltda. e Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. – altera-se significativamente em 1993, quando, de início, Ubirajara Leme Valdez assume o telejornalismo do canal 10. No ano seguinte, ascendendo à superintendência regional, uma série de alterações vai ocorrer, algumas positivas, outras nem tanto, mas, no conjunto, consolidando a presença e a imagem da marca Bandeirantes no estado.


Ubirajara Valdez e Hélio Gama no Jornal Gente (1995)
Fonte: Experiência, Porto Alegre: Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, abr. 1995. p. 1.

No dia 15 de fevereiro de 1995, a Band AM estreia uma nova grade, que inclui versões locais, com pequenas alterações, para programas da Rádio Bandeirantes AM, de São Paulo, como O Pulo do Gato, de segunda a sábado, das 6 às 7h30 e das 7h30 às 8h; e, de segunda a sexta, Jornal Gente, das 8h às 9h30; Manhã Band, das 9h30 às 11h30; e Band Acontece, das 14h às 16h. As transmissões esportivas, suspensas desde 1989, também são retomadas com investimentos significativos. Os custos, entretanto, vão superando o faturamento e se transformando em um prejuízo que chega ao ponto máximo após a transmissão da Copa América, de 5 a 23 de julho de 1995, no Uruguai. Como consequência, em outubro, ocorre uma série de demissões, com a programação reduzindo-se aos programas O Pulo do Gato e Jornal Gente, além dos noticiários gerados via satélite de São Paulo e a cobertura esportiva, esta última com a equipe terceirizada. Somente na Central Band de Jornalismo, que atendia às rádios, 10 funcionários são demitidos. A redução repercute, assim, na Band FM, levando à suspensão de alguns dos espaços informativos da estação dos 99,3 MHz e, em seguida, à demissão de Édson Araújo, o responsável pela rádio, repetindo o que havia acontecido com Nilton Fernando no final do ano anterior, também por não concordar com as alterações em curso na Ipanema FM também pertencente ao grupo. Da mesma emissora, Kátia Suman, que assume a coordenação de programação, é dispensada em outubro de 1999, sob o protesto dos ouvintes que congestionam telefones e endereços eletrônicos. Ocorre, portanto, a partir daí, uma redefinição dos rumos das operações em radiodifusão sonora da Bandeirantes no Rio Grande do Sul.


Central Band de Jornalismo (1995)
À esquerda, Ayr Aliski, editor de Cultura. Ao centro, Paulo Franqueira, editor de notícias.
Fonte: Experiência, Porto Alegre: Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, abr. 1995. p. 1.

Com Ubirajara Valdez à frente do grupo no Rio Grande do Sul, a Bandeirantes toma, neste período, várias medidas, algumas ousadas para o mercado gaúcho de então. A Bandeirantes é uma das primeiras empresas de comunicação no estado a flexibilizar os processos de produção, incluindo, neste sentido, as relações de trabalho. Assim, até outubro de 1999, os integrantes da equipe de esportes atuam como prestadores de serviço. De março de 2000 a dezembro de 2001, a estação dos 640 kHz, já com novos programas informativos, e a dos 99,3 MHz apresentam o mesmo conteúdo, diferenciando-se apenas quando da transmissão de jogos do Grêmio Foot-ball Porto-alegrense e do Sport Club Internacional realizados no mesmo horário. Aí, a AM, com maior potência, fica com a partida do interior e a FM, de mais qualidade sonora, irradia a de Porto Alegre. Com a separação das duas em dezembro de 2001, a estação dos 99,3 MHz integra a rede da Band FM, de São Paulo, de teor popular, enquanto a dos 640 kHz segue, sem muitas alterações, com uma programação que privilegia entrevistas, reportagens, serviço e esporte. A Ipanema, por sua vez, veicula programas independentes, como é o caso do Calmaria, da produtora Radioativa, que estreia em abril de 2003. No ano seguinte, o grupo firma uma parceria com a Sidon, empresa de Pedro Paulo Zachia, desenvolvendo um acordo operacional que, em termos práticos, significa, novamente, a terceirização da cobertura esportiva da Band AM.
Os empreendimentos locais inserem-se, ainda, nas iniciativas visando à desregulamentação do setor empreendidas pela direção nacional em São Paulo. Deste modo, desde 1995, as rádios de Porto Alegre apoiam a campanha pela não-veiculação obrigatória do radiojornal Voz do Brasil. Assim, conseguem judicialmente, embasando-se em decisão semelhante beneficiando a matriz do grupo, a possibilidade de transmitir o programa em outro horário. Beneficiadas pela medida, as estações da Rádio e TV Portovisão Ltda. vão utilizar o espaço, ao longo do tempo, de forma diversificada. A Ipanema FM dedica-se à música nacional com o programa Vez do Brasil. Já a Band AM, em um momento, transmite notícias e reportagens; em outro, pende para o policialesco ou para os debates de assuntos gerais ou, sendo mais específica, esportivos.

Até o início da década seguinte, apesar das constantes redefinições de programação devido à sua posição secundária no Rio Grande do Sul, o Grupo Bandeirantes de Comunicação acumula, no estado, várias premiações que demonstram a sua inserção no mercado gaúcho. Entre estas, na área de rádio, podem ser citadas a de Veículo do Ano de 1998, dentro do 17° Prêmio Colunistas, organizado pela revista Propaganda e Marketing, de São Paulo, e concedido à Band AM, que, na época, registra uma elevação de 45% no faturamento. Distinção semelhante recebe a Ipanema FM, em 2002, no 28° Salão de Propaganda, promovido pela Associação Rio-grandense de Propaganda, em função das alterações implementadas por Eduardo Santos, que, assumindo a programação naquele ano, retoma um pouco do perfil original da estação dos 94,9 MHz sem deixar de lado o enfoque comercial e realizando, assim, várias promoções.
Luiz Carlos Reche e o esporte da Guaíba
 2015
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio da Rádio Guaíba (1999)
Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre, 31 mar. 1999. p. 17.

Da juventude em Lagoa Vermelha, onde, para ajudar no orçamento familiar, vendia pastéis de porta em porta no comércio da cidade, Luiz Carlos Reche vai carregar duas características pela vida afora: a obsessão pelo trabalho e a capacidade inata de negociar cotas de patrocínio. Embora, talvez, sejam menos conhecidas do grande público que o ataque constante à principal concorrente, a Gaúcha, estas são as bases do trabalho realizado por ele na Guaíba, levando-o de estagiário sem remuneração, apenas pela experiência, à chefia de Esportes.
Ao longo de quase três décadas em que permanece na emissora da rua Caldas Júnior, Reche desconstrói a imagem de austeridade excessiva que a Guaíba ainda carregava no final do século 20 e transforma a cobertura da rádio em algo mais alegre, mais popular e, em especial, mais competitivo, lançando, por exemplo, dezenas de promoções com brindes e envolvendo, deste modo, os ouvintes. Reúne, ainda, em torno de si uma equipe aguerrida que se acostuma às constantes cobranças do jornalista em relação à qualidade e ao ritmo de programas e de transmissões de jogos de futebol. Cobranças que não diminuem nem mesmo quando Luiz Carlos Reche está de folga. Nestas ocasiões, o chefe de Esportes fica com o ouvido colado no rádio, sintonizando ora na Guaíba, ora na concorrência, e conferindo, deste modo, a qualidade da informação repassada ao público. E dá-lhe mensagens por SMS para narradores, comentaristas, produtores e operadores de áudio...



Luiz Carlos Reche, com Edgard Schmidt, e o vencedor da promoção do Dia das Mães (13 de maio de 2009)

Fonte: Acervo particular.


Ao se transferir para o Grupo Bandeirantes em 2014, Luiz Carlos Reche deixa para trás a certeza de que, lembrando entrevista dada ao Correio do Povo quatro anos antes, a sua trajetória e a da emissora confundiam-se nas décadas anteriores. “A minha história é a Guaíba”, disse então. Com certeza, de 1985 até então, o jornalista mudou e valorizou a cobertura esportiva da emissora em dezenas de Campeonatos Gaúchos ou Brasileiros, Copas do Brasil, Libertadores da América e Copas do Mundo.


“A minha história é a Guaíba” (novembro de 2010)
Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre, 5 nov. 2010, p. 32.

Paulo Sérgio Pinto e a equipe de esportes da Rádio Pampa
2015
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio da Rádio Pampa (março de 1999)
Fonte: DIA 16 estreia a nossa nova programação. Zero Hora, Porto Alegre, 14 mar. 1999. p. 41. Anúncio.

De 1999 a 2007, a Rádio Pampa deixou sua marca na cobertura esportiva do Rio Grande do Sul, ensaiando, inclusive, o formato que outra emissora do grupo controlado por Otávio Dumit Gadret – a Grenal – adotaria anos mais tarde. O processo começa com a ida de Paulo Sérgio Pinto, ex-gerente comercial da Empresa Jornalística Caldas Júnior, que assume a vice-presidência da Rede Pampa de Comunicação em janeiro de 1999. É dele a iniciativa repassada à direção da empresa, que, dando apoio ao projeto, contrata Roberto Brauner, um dos mais talentosos narradores esportivos do estado, como gerente de Esportes e Jornalismo da emissora. A equipe, ao longo do tempo, vai incluir outros profissionais de destaque, como Antônio Augusto, Darci Filho, Denis Olinto, Haroldo Santos, Renato Marsiglia, Ricardo Vidarte e Rogério Amaral. A Pampa busca ainda valorizar radialistas do interior gaúcho, como o narrador Castro Júnior, trazido do rádio de Cachoeira do Sul, e descobrir novos profissionais, caso do então estudante de Jornalismo Luís Magno.

Anúncio com a equipe de esportes da Rádio Pampa (março de 1999)
Fonte: SÓ tem fera! Zero Hora, Porto Alegre, 7 mar. 1999. p. 37. Anúncio.

Assim, no dia 16 de março de 1999, a programação da Pampa AM altera-se, mas, embora o foco principal seja a cobertura esportiva, ainda inclui outros programas. Em 1º de outubro, passa a dedicar 90% das suas transmissões ao esporte, com destaque, obviamente, para o Grêmio e o Internacional, adotando o slogan “A número um do futebol”. Aproveita, de início, uma parceria com a Jovem Pan AM, de São Paulo, para a veiculação de alguns conteúdos, o que se reflete em algumas vinhetas utilizadas. Na época, os principais programas são:

Tribuna Popular
Da 0 às 2h, de segunda a sábado.
Apresentação de Altair Venzon, no qual os ouvintes fazem consultas na área de direito.

Jovem Pan e Pampa na Madrugada
Das 2 às 7h, de segunda a sábado.
Da 0 às 7h, domingo.
Cooperação Jovem Pan/ Pampa – Rede Nacional.

Impacto
Das 7 às 9h, de segunda a sexta-feira.
Debates esportivos comandados por Ricardo Vidarte com a participação da equipe esportiva, torcedores, mais Bem Hur Marchiore, Sadi Schwerdt, Cassiá e, eventualmente, Paulo Sérgio Pinto.

Eco dos Estádios
Das 9 às 11h, de segunda a sexta-feira.
Programa apresentado por Rogério Amaral, com a participação dos repórteres nos estádios e dos torcedores por telefone. Comentário de Fernando Albrecht.

Choque de Ideias
Das 11 às 12h, de segunda a sexta-feira.
Darci Filho comanda debates sobre o dia a dia do futebol. Participação de Roberto Brauner, Rogério Amaral, Ricardo Vidarte e Chicão Tofani.

Show do Meio-dia
Das 12 às 13h, de segunda a sábado.
Notícias, comentários e informações esportivas.

Tribuna do Torcedor
Das 13 às 14h, de segunda a sexta-feira.
Apresentação de Haroldo Santos, com a participação de torcidas organizadas no estúdio e por telefone.

Conexão Pampa
Das 14 às 15h, de segunda a sexta-feira.
Programa apresentado por Ricardo Vidarte, com a participação da tribuna do povo (ouvintes e autoridades) e comentários de Ricardo Orlandini.

Crítica
Das 15 às 16h, de segunda a sexta-feira.
Programa apresentado por Darci Filho, com debates, entrevistas e com o comentário de Fernando Albrecht.

Realidade
Das 16 às 16h30, de segunda a sexta-feira.
Leandro Provedel apresenta este programa com entrevistas e notícias internacionais.

Saúde, Educação e Comportamento
Das 16h30 às 17h, de segunda a sexta-feira.
Das 7 às 8h, domingo.
Alfredo Bergmann realiza entrevistas sobre saúde, educação e comportamento.

Show de Bola
Das 17 às 19h, de segunda a sexta-feira.
Programa apresentado por Roberto Brauner, com a participação do repórter nos estádios com eventual transmissão de treinos.

Anatomia do Futebol
Das 20 às 22h, de segunda a sexta-feira.
Castro Júnior apresenta notícias, entrevistas, informações e a participação do torcedor.

O Terceiro Milênio
Das 7 às 8h, sábados.
Apresentação de Ricardo Orlandini, com entrevistas sobre informática, empresas e empresários.

Sábado de Futebol
Das 8 às 12h, sábado.

Futebol Alegria do Povo e Jornada Esportiva
Das 13 às 18h, sábado.
Das 13 às 19h, domingo.
Programas comandados por Darci Filho. No Futebol Alegria do Povo, são apresentadas as informações mais quentes dos estádios, preparando o ouvinte para a Jornada Esportiva.

Plantão das Multidões
Das 22 à 0h, de segunda a sexta-feira.
Das 18 às 22h, sábado.
Das 19 às 23h, domingo.
Antônio Augusto comanda este programa, com entrevistas e informações para o ouvinte dormir bem informado.

Futebol na Intimidade
Das 22 às 23h, sábado.
Rogério Amaral entrevista personalidades do futebol.

Trajetória Esportiva
Das 23 à 0h, sábado.
Programa conduzido por Darci Filho, que apresenta, em entrevistas, a vida de personalidades do esporte.

Show de Domingo
Das 8 às 12h, domingo.
As mais recentes informações do domingo esportivo com apresentação de Castro Júnior.
Programação da Rádio Pampa AM (final de 1999)
Fonte: RÁDIO PAMPA AM. Programação. Disponível em: <http://www.redepampa.com.br/radiopampa_programacao.htm>. Acesso em: 6 jan. 2000.

A programação da Pampa valoriza a participação do ouvinte, uma característica que, no futuro, a Grenal herda de sua antecessora. Na época, o recurso principal era o telefone, que se constituía mesmo assim, pelo espaço aberto ao longo do programação, em um diferencial frente à concorrência, como explicava então Roberto Brauner à Jamile Dalpiaz, autora da dissertação de mestrado O futebol no rádio de Porto Alegre: um resgate histórico (dos anos 30 à atualidade), defendida em 2002 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul:
Além de ser uma rádio que dedica 24 horas do dia para o esporte, a Pampa faz uma interação muito grande com o ouvinte. É a rádio que mais fala com o ouvinte no Brasil. [...] É um desafio muito grande porque a emissora está quebrando alguns parâmetros do rádio. Eu lembro quando a Globo implantou a SporTV. No começo eu achava uma coisa muito estranha, uma televisão dedicada somente ao esporte, bem segmentada. Me perguntava se daria resultado; hoje a SporTV trabalha com as próprias pernas, independente da Globo. Então esta ideia de fazer só esporte está dando certo.

Vinheta cantada da Rádio Pampa (1999)
Fonte: Acervo particular.




Vinhetas da parceria com a Jovem Pan AM, de São Paulo (1999)
Fonte: Acervo particular.

No final de 2002, a Pampa diminui o espaço dedicado ao esporte, alterando, em especial, a sua programação matutina. Em realidade, a emissora de Otávio Dumit Gadret aproveita a saída de Rogério Mendelski da Rádio Gaúcha, então um dos profissionais com maior quantidade de ouvintes do Rio Grande do Sul, para encorpar a sua audiência. Em 2 de dezembro, estreia o Programa Rogério Mendelski, inicialmente transmitido das 7 às 10h e, tempos depois, antecipado para as 6h. Se a postura do jornalista nesta parte da manhã vai ao encontro de preceitos do neoliberalismo econômico, o Programa Beatriz Fagundes, a partir do dia 18 do mesmo mês, faz uma espécie de contraponto nacionalista, posicionando-se mais à esquerda. Em um segundo momento, na linha da socialdemocracia, em 2 de junho de 2003, entra no ar o Programa Adroaldo Streck, aliás cujo titular é figura destacada justamente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda em que, além de exercer mandatos como deputado federal, foi presidente no Rio Grande do Sul, de 1995 a 1997. A cobertura esportiva, no entanto, mantém-se até 2007.

As alterações na relação da Rede Pampa com a Rede Record, de São Paulo, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus vão complicar significativamente este quadro. No dia 12 de março de 2007, o grupo da família Gadret começou a se adaptar à nova realidade provocada pelo rompimento unilateral do contrato existente com a Record, cujo sinal de TV passaria em 1° de junho a ser retransmitido pela TV Guaíba, uma das emissoras de Porto Alegre adquiridas pela rede controlada pelo bispo Edir Macedo.

Comunicada aos funcionários da Pampa nas primeiras horas da manhã daquela segunda, a decisão da empresa controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus surpreendeu o mercado gaúcho. No mesmo dia, novo choque abalou ainda mais as redações de Porto Alegre: o jornal Correio do Povo, até então fora das negociações em curso, também estava sendo adquirido pela Record. A investida paulista, portanto, ia além da TV Guaíba e das rádios Guaíba AM e Guaíba FM. Na reviravolta, as informações mais seguras, conforme fontes diversas, isentas ou não, eram relegadas à categoria de boatos. Ao final da segunda-feira, única em termos de abalo na história da comunicação no estado, já 18 ex-funcionários da Pampa haviam assinado suas rescisões de contrato junto ao Sindicato dos Radialistas, entre eles profissionais consagrados como Roberto Brauner, Ricardo Vidarte, Denis Olinto e Renato Marsiglia. Para se ter uma ideia, ficaram ao microfone para dar continuidade à rádio em si apenas cinco apresentadores: Rogério Mendelski, Beatriz Fagundes, Darci Filho, Antônio Augusto e Altair Verzon.

Nas previsões mais otimistas, o número de demitidos no esporte da Pampa chegaria a 20. Nas mais pessimistas, a quase 90. De certo, no mínimo entre 30 e 50 perderam seus empregos. Conforme circulou, o impacto do fim do contrato da Record com o grupo de Otávio Gadret poderia, se mantidas as irradiações esportivas, acarretar, no futuro, o não-pagamento dos encargos trabalhistas no caso de demissões que a empresa já dava como inevitáveis de qualquer maneira.

Da experiência capitaneada por Paulo Sérgio Pinto ficariam alguns momentos de destaque. Talvez o maior deles tenha sido em 2002, durante a Copa do Mundo realizada na Coréia do Sul e no Japão. A Pampa AM foi, então, uma das três emissoras do estado a enviar equipe e irradiar as partidas, disputando a audiência com a Gaúcha e a Guaíba. Ousando um pouco, liderou uma cadeia com cinco dezenas de estações, um feito para uma emissora novata em coberturas deste porte. Do outro lado do mundo, vieram as vitórias do penta. Quatro anos depois, a Pampa estava na Alemanha, cobrindo os erros e acertos da seleção de Parreira. Isto só para citar conquistas gerais, daquelas que não ferem os brios de gremistas ou de colorados.

Naquele dia 12, portanto, o rádio do Rio Grande do Sul ficava menor, com menos possibilidades e opções para profissionais e ouvintes. Na véspera, sem saber de nada, a equipe de esportes da Pampa, nos nove gols narrados por Luiz Magno na vitória do Grêmio por 5 a 4 sobre o São Luiz, comemorou uma grande transmissão, saindo com a certeza de que havia sido uma das melhores tardes de futebol da emissora, uma trajetória retomada pelo grupo de Otávio Gadret, com a Grenal, somente na década seguinte.


Abertura da jornada esportiva da Pampa para São Luiz 4 x 5 Grêmio (11 de março de 2007)
Com apresentação de Darci Filho; narração de Luís Magno; comentários de Renato Marsiglia; reportagens de  Marinho Saldanha e William Lampert; e plantão de Denis Olinto.
Fonte: Acervo de Edu Cesar, do blog Papo de Bola.

A equipe de esportes da Pampa deixou saudades entre os ouvintes daquela época. Na internet, as transmissões da emissora ainda são lembradas ainda mais quando relacionadas a grandes momentos do futebol. É o caso da irradiação da vitória do Grêmio sobre o Náutico, a chamada Batalha dos Aflitos, na final da série B em 2005.

Trecho da jornada esportiva da Pampa para Náutico 0 x 1 Grêmio (26 de novembro de 2005)
Com narração de Roberto Brauner, reportagens de Darci Filho, comentários de Cássia Carpes e plantão de Denis Olinto.
Fonte: Acervo de Edu Cesar, do blog Papo de Bola.
Armindo Antônio Ranzolin e a Rede Gaúcha Sat
2007
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio da Rede Gaúcha Sat (março de 1996)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 2 mar. 1996. p. 25.

Dono de uma das vozes mais identificadas pelo ouvinte da Guaíba ao longo dos anos 1970, Armindo Antônio Ranzolin transferiu-se para a Gaúcha em maio de 1984, assumindo, três anos depois, a gerência-executiva da emissora, cargo transformado no de diretor em 1992. É sob sua gestão que a rádio passa a encabeçar uma rede via satélite.

Um ensaio acontece durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Já durante os amistosos da Seleção Brasileira, precedendo o certame, o sinal é liberado para que qualquer emissora retransmita os jogos, atraindo até mesmo rádios em espanhol e português instaladas no país sede da copa. Em junho e julho, os ouvintes das 358 estações em cadeia vão acompanhar a conquista do tetracampeonato. No dia 20 de março de 1995, uma edição especial do programa Gaúcha Atualidade inaugura, oficialmente, a Rede Gaúcha Sat, a primeira deste tipo fora do eixo Rio-São Paulo. Com 12 afiliadas por contrato – todas do interior do estado –, a RBS pretende, então, atingir um universo potencial de 7 milhões de consumidores e ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul. A própria programação ganha características nacionais. Um exemplo é o Gaúcha na Madrugada, de Jayme Copstein. que se transforma em Brasil na Madrugada. Também se altera um pouco o enfoque dos noticiários para que incluam apenas fatos de maior abrangência, sem perderem, dentro do possível, as características regionais.

Dez anos mais tarde, em 2004, conforme dados do site corporativo da RBS, a Rede Gaúcha Sat abrangia 117 emissoras: 71 no Rio Grande do Sul, 17 em Santa Catarina, 11 no Paraná, cinco no Mato Grosso e duas no Mato Grosso do Sul, além de outras 11 em Rondônia, Acre, Maranhão e na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Os Sirotsky conseguiram, deste modo, barrar o avanço de grupos do centro do país sobre os mercados da Região Sul, como destaca Armindo Antônio Ranzolin, diretor da Gaúcha de 1991 a 2004:

– Nós barramos a entrada da Jovem Pan, da Band, da própria Globo, da própria CBN, que queria encher de retransmissoras no interior e só conseguiu este ponto de retransmissão aqui em Porto Alegre. Nós, ao contrário, barramos a entrada deles e exercemos uma força de invasão do Rio Grande do Sul a partir de Santa Catarina e do Paraná. O nosso produto invadiu aquele território.

Com esta força, a Gaúcha chegou ao início do século 21 como a terceira marca radiofônica mais prestigiada do país, conforme pesquisa realizada, em 2001, pela Jaime Troiano Consultoria para a revista Meio & Mensagem. Perdia para a Central Brasileira de Notícias e a Jovem Pan FM, mas superava operações em radiodifusão sonora de empresas do centro do país como 89 FM, Bandeirantes AM, Globo AM, Jovem Pan AM e Transamérica FM, entre outras.

No final de 2006, Ranzolin anunciou a sua aposentadoria, deixando no ar a indagação dos ouvintes sobre quem serão os comunicadores a marcar os próximos anos da emissora. De fato, ao completar oito décadas, no ano seguinte, a Gaúcha tinha por desafio renovar-se, compensando, com novos profissionais, a ausência de conhecidíssimos jornalistas e radialistas.


Armindo Antônio Ranzolin

Entrevista realizada por Luiz Artur Ferraretto em 4 de outubro de 1999.
O Brasil é tetra: a cobertura da Gaúcha e da Guaíba nos Estados Unidos em 1994
2015
Luiz Artur Ferraretto

Cartaz da Copa do Mundo de 1994 (1994)

A Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, além do histórico tetracampeonato da Seleção Brasileira, teve um sabor especial para o ouvinte das duas principais emissoras dedicadas ao jornalismo no Sul do país. Foi a última de Armindo Antônio Ranzolin, o narrador que passaria, então, a dedicar mais tempo à gestão da Gaúcha, onde, desde dois anos antes, exercia a direção. Foi também a primeira de Haroldo de Souza contando os jogos ao microfone da Guaíba, uma profunda alteração no estilo da rádio que, até a sua contratação em 1991, ainda trazia resquícios de uma sobriedade de outros tempos. Nos estádios dos Estados Unidos, invertiam-se, portanto, as posições de ambos, que, da copa de 1974 a de 1982, disputaram a preferência dos ouvintes – Ranzolin na Guaíba e Haroldo na Gaúcha –, situação, em realidade, alterada nas de 1986 de 1990, quando ambos atuam pela emissora da RBS.

Em 1991, a contratação de Haroldo de Souza quebra, portanto, o predomínio histórico de narradores de estilo clássico na Guaíba, conferindo um caráter mais popular às irradiações de jogos de futebol pela emissora da rua Caldas Júnior. Acirra-se também a concorrência no rádio esportivo em Porto Alegre neste início de década. A Rede Brasil Sul responderia acertando com o coordenador de esportes e plantão, Cléber Grabauska, e o narrador Marco Antônio Pereira. Também o comentarista Wianey Carlet vai se transferir para a Gaúcha.

Um pouco antes motivando a saída de Haroldo de Souza, o radialista Pedro Ernesto Denardin é guindado à posição de segundo narrador da Gaúcha. Prepara-se, de fato, para substituir no primeiro posto Armindo Antônio Ranzolin, que além da direção da emissora, conduz o Gaúcha Atualidade, principal programa da rádio na área de economia, política e geral no estado, mantendo ainda uma relação com o futebol em seu comentário diário, de segunda a sexta-feira, na faixa de meio-dia.
Gaúcha Entrevista, o programa de rádio do professor Ruy
2015
Luiz Artur Ferraretto

Ruy Carlos Ostermann (2006)
Fonte: OSTERMANN, Cristiane; SANTOS, Karen Mendes; OSTERMANN, Ruy Carlos. Encontros com o professor: cultura brasileira em entrevista. Porto Alegre: Tomo, 2006. p. 9.

A voz era calma, tão clara como os conceitos que Ruy Carlos Ostermann, com maestria, ia expondo em seus comentários. Transmitia segurança, dava informações em uma área na qual, não raro, aflora a paixão sobre a razão. Foi assim em 1966, quando revolucionou o comentário esportivo durante a Copa da Inglaterra. Havia que explicar, com dados, a má campanha da Seleção Brasileira. E dá-lhe números sobre lances perdidos, faltas cometidas e sofridas, conclusões equivocadas... Um achado simples e jornalístico: para qualificar, há que quantificar. Com certeza, uma lição do professor, como os colegas e o público se acostumaram a chamá-lo, numa referência à outra atividade do jornalista, aquela das salas de aula, da filosofia. Uma bagagem que Ruy carregou anos, de segunda a sexta, na faixa das 16 às 17h, ouvindo a cena cultural no Gaúcha Entrevista, programa cuja última edição foi ao ar em 10 de julho de 2011.

Meio dado a manifestações de egos exacerbados, a comunicação social, por vezes, cria pequenos monstros, de recente acesso aos meios, que logo passam a agir como príncipes aos quais os demais mortais leia-se o público devem vassalagem. Em relação ao Ruy, testemunhei em uma Feira do Livro de Porto Alegre justamente o contrário. Em função do meu Rádio e capitalismo no Rio Grande do Sul, eu participava do Gaúcha Entrevista, transmitido de um estande envidraçado montado pelo Grupo RBS na Praça da Alfândega. Manifestantes protestavam contra o governo gaúcho e exigiam a manutenção de escolas para alunos especiais. Estavam ali passando, do outro lado do vidro, pais e seus filhos, portando cartazes e gritando palavras de ordem. O Ruy, prontamente, abriu espaço para eles. Rádio é isto: instantaneidade, respeito e sensibilidade. Saímos dali e o professor, um gentleman, me ofereceu dois livros seus trazendo as entrevistas do Encontros com o professor, atividade semanal, misto de entrevista, de bate-papo e de palestra. Dois volumes muito bonitos, com o mesmo título da promoção realizada a cada semana no Studio Clio, em Porto Alegre. Entre os estandes da RBS e da Tomo Editorial, responsável pela publicação, nos perdemos no burburinho da feira e no contato incessante dos fãs do Ruy. A cada um deles, o jornalista respondia com a mesma atenção. Foram palpites sobre escalações de times de futebol, opiniões sobre livros e os tradicionais cumprimentos por isto ou por aquilo. Deixou em todos a certeza de ser mesmo um conhecido daqueles que se vê de longe todo dia e, quando está perto, não recusa um olá, um até logo ou mesmo um aperto de mão ou um abraço mais afetivo.

Última edição do Gaúcha Entrevista (1º de julho de 2011)
André Machado e Nando Gross entrevistam o apresentador Ruy Carlos Ostermann.
Fonte: RÁDIO GAÚCHA. Gaúcha Entrevista, Porto Alegre, 10 jul. 2011. Programa de rádio.
Lauro Quadros, dos gramados ao Polêmica
2006
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio do programa Polêmica (agosto de 2003)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 10 ago. 2003. p. 23.

Nos anos 1970, cada jornada esportiva da Rádio Guaíba era um show à parte do futebol que rolava nos gramados, opondo quase sempre torcedores do Grêmio e do Internacional. Ao lado da voz precisa e clara do narrador Armindo Antônio Ranzolin, além do plantão Antônio Augusto, alternavam-se os comentaristas Ruy Carlos Ostermann, de seriedade inconfundível na qualidade das suas informações e opiniões, e Lauro Quadros, ousando explorar descontração ao microfone da mais sóbria emissora do estado.

Antes, nas décadas de 1950 e 1960, baixinho e elétrico na beira dos gramados, Lauro já se destacara com suas perguntas precisas, percepção acurada e português correto, dando consistência à reportagem esportiva no rádio do Rio Grande do Sul. Fora estas qualidades, ele acrescentaria, com o tempo, descontração a uma atividade em que o ouvinte ainda era chamado, com cerimônia, de senhor, e o profissional de microfone usava terno e gravata. Era uma figura curiosa por vezes. Em certa ocasião, paletó e o formal pedaço de pano preso por nó no colarinho, colocou bermuda floreada e entrou em campo para trabalhar. Óbvio que chamou a atenção de todos.
Em 1969, tornava-se comentarista na Guaíba, consagrando expressões muito particulares. Para definir profissionais ou elogiar um lance de brilhantismo, saía-se com um "esse conhece o rengo sentado e o cego dormindo" ou "ele sabe a cabeça que tem piolho". Quando queria indicar uma área do campo de marcação deficiente do adversário por onde um time poderia chegar ao gol, soltava um "ali é o caminho da roça". E, para encerrar um raciocínio, largava outra marca registrada: "É isto aí mais meio quilo de farofa".

Um grenal na voz de Ranzolin ganhava, então, dois comentaristas para contentar a todos. Era uma fórmula imbatível. De um lado, a opinião de voz pausada do professor Ostermann, com formação na área de Filosofia e um dos textos melhor construídos do rádio esportivo brasileiro. De outro, o tirocínio e a alegria de Lauro Quadros. Nenhum dos dois demonstrando preferências clubísticas, mas ambos somando qualidade às irradiações da Guaíba.

Mas por que falar de Lauro Quadros em meio a estes tantos grandes profissionais de jornadas perdidas na lembrança? Pois ele, dos anos 1990 até recentemente, garantiu a mesma seriedade risonha ao Polêmica, programa de debates apresentado, de segunda a sexta-feira, na Rádio Gaúcha, sempre às 9h30. No finzinho da atração anterior, quando o Ranzolin ainda estava na ativa e se despedia de seus ouvintes do Gaúcha Atualidade trocando breves palavras com o Lauro, parecia que os ponteiros do relógio voltavam à década de 1970. Não era só, óbvio, para os tempos deles na Guaíba, mas também para as décadas de 1980 e 1990 com ambos na Gaúcha.

Tardes e noites de futebol para não esquecer mesmo, independente do resultado favorável ou desfavorável ao time do coração. Tardes e noites para lembrar nem que seja por um instante fugaz na passagem do Ranzolin para o Lauro. O instante mágico acontecia por volta das 9h25 na Gaúcha, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Lauro Quadros na apresentação do Polêmica (24 de outubro de 2011)
Fonte: RÁDIO GAÚCHA. Polêmica, Porto Alegre, 24 out. 2013. Programa de rádio.
O domingo de Lauro Quadros
2006

Um perfil do comunicador (9 de julho de 2006)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 9 jul. 2006. Donna, p. 20
.
As memórias de Lauro Quadros em livro
2015
Luiz Artur Ferraretto

No dia 5 de outubro de 2015, Lauro Quadros lança suas memórias na Livraria Cultura, de Porto Alegre, livro organizado pelo jornalista Maikio Guimarães.

Olha, gente!, o livro de Lauro Quadros, organizado por Maikio Guimarães (2015)
Fonte: Divulgação AGE.





Lauro Quadros e o lançamento de Olha, gente! (24 de outubro de 2011)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 6 set. 2015. p. 8-10.
Antônio Carlos Macedo e as alterações no Chamada Geral e no Gaúcha Hoje
2014
Bruno Pancot

Comemoração dos 10 anos de Antônio Carlos Macedo à frente do Gaúcha Hoje (2012)
Fonte: Diário Gaúcho, Porto Alegre, 3 dez. 2012. p. 16.


Há 40 anos, o Brasil tinha apenas três títulos mundiais. Em São Paulo, o Edifício Joelma ardia em chamas e colocava em xeque a falta de prevenção a este tipo de ocorrência. Na Argentina, Juan Domingo Perón deixava para Isabelita a presidência. Os norte-americanos, por sua vez, acompanhavam a renúncia de Nixon. E, aqui, os generais trocavam cadeiras, de Médici para Geisel.

Este era o contexto de 1974, ano em que Antônio Carlos Macedo começou a escrever e falar para o Rio Grande do Sul. Hoje, já são quatro décadas de profissão. Engana-se, no entanto, quem pensa que o apresentador do Gaúcha Hoje pretende se acomodar:

– Tem que olhar sempre para frente, para as coisas que estão sendo feitas pelos jovens e as que estão sendo feitas ao teu redor. Estar sempre aberto para as inovações e ter a capacidade de se adaptar a elas.

Com 19 anos, nem o segundo semestre completado na faculdade de jornalismo, o então estudante começou a trabalhar na Companhia Jornalística Caldas Júnior, passando pela Central do Interior, Rádio Guaíba e Correio do Povo. Ficou lá até 1984, no auge da crise da empresa de Breno Caldas. No mesmo ano, passou a integrar o quadro de reportagem da Rádio Gaúcha e, em 1986, já tinha pela frente a cobertura da primeira de uma série de cinco copas do mundo.

O acompanhamento diário do futebol, as jornadas esportivas e a substituição na apresentação de alguns programas eram a rotina inicial de Macedo na principal rádio de jornalismo do Grupo RBS. Em 1990, o então repórter passou a apresentar o Plantão Gaúcha, unificando 50 minutos de jornalismo e 40 de futebol em um mesmo programa. Durante aquele período, inclusive, ele iniciou o processo de abertura para a participação do ouvinte na programação da rádio:

– No Plantão, eu não botava o ouvinte ao vivo, mas fazia quase isso. Gravava um pouco antes depoimentos, anunciava no Show dos Esportes e colocava no ar, mas fazia gravado porque, naquela época, o pessoal tinha ainda muito medo do que se pudesse dizer no ar.

Macedo e a interatividade com o ouvinte
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 9 dez. 2007. TV + Show, p. 9.

O marco maior deste processo, no entanto, aconteceu a partir de 1997, quando o âncora começou a dar espaço para o ouvinte no horário nobre da Gaúcha nas duas edições do Chamada Geral, programa que Macedo passou a apresentar em 1993. Os relatos dos ouvintes abriram a possibilidade para a reportagem chegar a problemas sobre os quais a emissora talvez acabasse não tendo conhecimento. Ao mesmo tempo, deram uma nova identidade ao programa, iniciando a tendência da participação do público na rádio. Agilidade e empatia com poucos gastos despontaram como vantagens.

– Isso gerou uma quebra de paradigma, porque os repórteres da época ficavam chateados, bravos até, quando recebiam pautas vindas de ouvinte, mal acostumados com aquela distorção de que o jornalismo tem que ser feito a partir de uma instituição.


Antônio Carlos Macedo
Entrevista realizada por Bruno Pancot em 6 de junho de 2014.

Assim, já estavam lançadas as bases para o que seria feito no Gaúcha Hoje  em termos de interação com o público. O engarrafamento na BR-116, a avenida Mauá trancada e a chuva chegando a Veranópolis: hoje, a participação de quem ouve é indispensável no programa. A partir de torpedos, mensagens pelo Facebook, Twitter e WhatsApp, o conteúdo enviado pelo ouvinte mescla-se às notícias da própria redação. E, claro, não só informação, mas também os pitacos do ouvinte e as mensagens mais singelas pedindo um abraço ou relatando que algum familiar está na escuta. Foi uma inovação para a qual Antônio Carlos Macedo contribuiu muito.


Homenagem da Rádio Gaúcha nos 60 anos de Antônio Carlos Macedo (7 de maio de 2015)
Produção de Voltaire Santos e Douglas Weber
Fonte: RÁDIO GAÚCHA. Gaúcha Hoje, Porto Alegre, 7 maio 2015.
Uma escola de samba no aniversário da Gaúcha em 1997
2017
Luiz Artur Ferraretto

Em 1997, por iniciativa do jornalista Cláudio Brito, a Rádio Gaúcha comemorou de forma diferente os seus 70 anos. Em parceria com a Associação das Entidades Carnavalescas, uma escola de samba foi montada especialmente para desfilar no carnaval daquele ano. Composto por Wilson Nei, Edson Vieira e Leandro Maia, o samba-enredo Essa guria vai longe foi interpretado por Cláudio Barulho e entrou para a história da emissora. Em 2015, o programa Arquivo Gaúcha relembraria, em versão multimídia, aquele desfile, que reuniu a equipe da Gaúcha e sambistas de Porto Alegre.

Cláudio Brito relembra as comemorações do aniversário da emissora em 1997 (20 de dezembro de 2015)
Rádio Rural e o projeto de segmentação em agrobusiness do Grupo RBS
2015
Texto atualizado em 2019.
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio da festa de lançamento da Rádio Rural (dezembro de 1999)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 15 dez. 1999. p. 57.

Escudada no sucesso de iniciativas como os programas Galpão do Nativismo, na Rádio Gaúcha, e Galpão Crioulo, na RBS TV, ambos então apresentados por Nico Fagundes, o Grupo RBS volta-se para o segmento regionalista em 1999. Assim, em 18 de dezembro daquele ano, entra no ar a Rural AM, nos 1.120 kHz, anteriormente ocupados pela CBN, que se transfere para os 1.340 kHz, frequência até então da Educadora, parceria do grupo com a Fundação Educacional Padre Landell de Moura (Feplam). A nova estação surge, portanto, com 50 kW de potência. Da equipe inicial, fazem parte alguns músicos ligados ao regionalismo gaúcho, como Ernesto Fagundes, Luiz Carlos Borges, Maria Luiza Benitez, Nico Fagundes e Rui Biriva. A rádio, como registra, no dia 15 de novembro de 1999, o jornal Zero Hora, trabalha em colaboração com o Canal Rural, também pertencente, na época, à família Sirotsky, especializado em agronegócios e integrante do pacote das TVs por assinatura Net e Sky.
Além de preservar a tradição, a nova emissora vai dar espaço ao neo-regionalismo, dentro de uma visão contemporânea. A informação também é prioridade. Boletins com a cotação de produtos agrícolas, meteorologia e agrobusiness serão transmitidos de hora em hora. Para obter as notícias, a Rádio Rural conta com redação própria e também vai trabalhar em sinergia com o Canal Rural.
Para marcar o início das transmissões, a RBS promove um espetáculo de música gauchesca no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, a antiga estância da Harmonia, ponto habitual de concentração de tradicionalistas na capital gaúcha. A escolha dos artistas convidados já demonstra um certo ecletismo, reunindo vertentes rurais e urbanas, telúricas e dançantes, do regionalismo da família Fagundes à tchê music de grupos como Tchê Barbaridade.
Em 2001, ampliando a atuação da rádio para o ramo de agronegócios, a programação é alterada, criando, ainda, a Rede Rural Sat, mesclando jornalismo especializado, serviços e música regionalista, com predominância do nativismo, uma vertente de raiz telúrica, mas com abertura para sonoridades e temas contemporâneos. Chegam a retransmitir o sinal de 14 estações da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A iniciativa, no entanto, vai ser descontinuada.
Ao longo da década seguinte, gradativamente, o Grupo RBS desinteressa-se pelo segmento. O ápice do processo é o repasse do Canal Rural, em 2013, para a holding J&F. No caso específico da Rádio Rural, a emissora vai seguir sob o controle da família Sirotsky, sofrendo com a falta de investimento e a acelerada redução de audiência das estações em amplitude modulada. Depois de um período com a programação reduzida a um play-list de música gauchesca, a emissora terminou sua trajetória de forma drástica. Em 2018, a outorga foi devolvida pelo Grupo RBS ao governo federal. 

Vinheta da Rádio Rural (março de 2000)
Fonte: Acervo pessoal.


Chamada do programa Um Canto Rural (março de 2000)
Fonte: Acervo pessoal.

Abertura de A Hora do Mate (março de 2000)
O cantor nativista Ernesto Fagundes apresentava o programa que ia ao ar às 17h, de segunda a sexta-feira.
Fonte: Acervo pessoal.