Antônio Carlos Macedo e as alterações no Chamada Geral e no Gaúcha Hoje
2014
Bruno Pancot

Comemoração dos 10 anos de Antônio Carlos Macedo à frente do Gaúcha Hoje (2012)
Fonte: Diário Gaúcho, Porto Alegre, 3 dez. 2012. p. 16.


Há 40 anos, o Brasil tinha apenas três títulos mundiais. Em São Paulo, o Edifício Joelma ardia em chamas e colocava em xeque a falta de prevenção a este tipo de ocorrência. Na Argentina, Juan Domingo Perón deixava para Isabelita a presidência. Os norte-americanos, por sua vez, acompanhavam a renúncia de Nixon. E, aqui, os generais trocavam cadeiras, de Médici para Geisel.

Este era o contexto de 1974, ano em que Antônio Carlos Macedo começou a escrever e falar para o Rio Grande do Sul. Hoje, já são quatro décadas de profissão. Engana-se, no entanto, quem pensa que o apresentador do Gaúcha Hoje pretende se acomodar:

– Tem que olhar sempre para frente, para as coisas que estão sendo feitas pelos jovens e as que estão sendo feitas ao teu redor. Estar sempre aberto para as inovações e ter a capacidade de se adaptar a elas.

Com 19 anos, nem o segundo semestre completado na faculdade de jornalismo, o então estudante começou a trabalhar na Companhia Jornalística Caldas Júnior, passando pela Central do Interior, Rádio Guaíba e Correio do Povo. Ficou lá até 1984, no auge da crise da empresa de Breno Caldas. No mesmo ano, passou a integrar o quadro de reportagem da Rádio Gaúcha e, em 1986, já tinha pela frente a cobertura da primeira de uma série de cinco copas do mundo.

O acompanhamento diário do futebol, as jornadas esportivas e a substituição na apresentação de alguns programas eram a rotina inicial de Macedo na principal rádio de jornalismo do Grupo RBS. Em 1990, o então repórter passou a apresentar o Plantão Gaúcha, unificando 50 minutos de jornalismo e 40 de futebol em um mesmo programa. Durante aquele período, inclusive, ele iniciou o processo de abertura para a participação do ouvinte na programação da rádio:

– No Plantão, eu não botava o ouvinte ao vivo, mas fazia quase isso. Gravava um pouco antes depoimentos, anunciava no Show dos Esportes e colocava no ar, mas fazia gravado porque, naquela época, o pessoal tinha ainda muito medo do que se pudesse dizer no ar.

Macedo e a interatividade com o ouvinte
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 9 dez. 2007. TV + Show, p. 9.

O marco maior deste processo, no entanto, aconteceu a partir de 1997, quando o âncora começou a dar espaço para o ouvinte no horário nobre da Gaúcha nas duas edições do Chamada Geral, programa que Macedo passou a apresentar em 1993. Os relatos dos ouvintes abriram a possibilidade para a reportagem chegar a problemas sobre os quais a emissora talvez acabasse não tendo conhecimento. Ao mesmo tempo, deram uma nova identidade ao programa, iniciando a tendência da participação do público na rádio. Agilidade e empatia com poucos gastos despontaram como vantagens.

– Isso gerou uma quebra de paradigma, porque os repórteres da época ficavam chateados, bravos até, quando recebiam pautas vindas de ouvinte, mal acostumados com aquela distorção de que o jornalismo tem que ser feito a partir de uma instituição.


Antônio Carlos Macedo
Entrevista realizada por Bruno Pancot em 6 de junho de 2014.

Assim, já estavam lançadas as bases para o que seria feito no Gaúcha Hoje  em termos de interação com o público. O engarrafamento na BR-116, a avenida Mauá trancada e a chuva chegando a Veranópolis: hoje, a participação de quem ouve é indispensável no programa. A partir de torpedos, mensagens pelo Facebook, Twitter e WhatsApp, o conteúdo enviado pelo ouvinte mescla-se às notícias da própria redação. E, claro, não só informação, mas também os pitacos do ouvinte e as mensagens mais singelas pedindo um abraço ou relatando que algum familiar está na escuta. Foi uma inovação para a qual Antônio Carlos Macedo contribuiu muito.


Homenagem da Rádio Gaúcha nos 60 anos de Antônio Carlos Macedo (7 de maio de 2015)
Produção de Voltaire Santos e Douglas Weber
Fonte: RÁDIO GAÚCHA. Gaúcha Hoje, Porto Alegre, 7 maio 2015.

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