As alterações na Ipanema FM dos anos 1990
2015
Luiz Artur Ferraretto

Nos anos 1990 e 2000, Katia Suman e, mais tarde, Eduardo Santos vão deixar suas marcas na gestão da Ipanema FM. O núcleo base de emissora havia se desestruturado: Mauro Borba, em 1992, foi para a então Felusp FM, ligada à Universidade Luterana do Brasil, e Nilton Fernando deixou a rádio em 1995. Depois de um breve período de transição conduzido por Edson Araújo, então gerente da Bandeirantes FM, assumiu Katia Suman, de extrema popularidade graças à sua performance ao microfone nas noites dos 94,9 MHz, quando abre espaço para os, na sua expressão frequente, “radiouvintes”, em conversas que variam do hilário a uma profundidade “papo-cabeça”, não usual na programação jovem de consumo rápido de outras estações. Na gerência de programação da rádio, Kátia aprofunda o posicionamento de mercado da emissora, que passa a se autodefinir como uma estação voltada ao “segmento AB Rock Forever Young”, em outras palavras: rock, a música, e atitude rock, a rebeldia, para todas as idades.

Katia Suman (1996)
Fonte: Ipanema FM Press, Porto Alegre, 1996. p. 2. Folheto.

A popularidade de Katia é enorme. Em outubro de 1999, a decisão administrativa de demitir a então responsável pela Ipanema – “A rádio do ouvinte” nas vinhetas repetidas ao longo da programação – repercute tanto que centenas de mensagens são colocadas no mural eletrônico existente no site da estação dos 94,9 MHz, várias fazendo menção a esse slogan:

15/10/99 21:18:34
A Ipanema é ou não é a rádio do ouvinte? Pois é, mas ninguém me perguntou se eu queria a saída da Katia!!!!!! Não dá pra acreditar nisso!!!! (...) Dedé – Porto Alegre – RS(...)
16/10/99 04:10:07
Tive uma graaande idéia. A Ipanema fez propaganda enganosa: “A rádio do ouvinte”. (...)Ninguém nos consultou sobre porra nenhuma. Companheiros, vamos mover uma ação coletiva, incluindo dano moral (eu fiquei danificado). Talvez não traga a Katia de volta, mas uma boa indenização é bem possível. Gladmir – Novo Hamburgo – RS
Quando Eduardo Santos assume a programação da Ipanema em janeiro de 2002, a rádio retoma um pouco da proposta original, sem desconsiderar a realidade de mercado e apostando em muitas promoções comerciais. Em linhas gerais, a nova programação abrange rock, música eletrônica, hip-hop e até jazz. A emissora, no entanto, segue, ainda, um princípio que remonta às suas origens, como explica Eduardo Santos:

A programação da Ipanema é feita de uma maneira bem diferente da das outras rádios. Tudo mundo acredita no Top 40. A rádio tem que tocar 40 músicas, músicas de trabalho. Na Ipanema, cada locutor faz a sua programação. Vale trazer CD de casa, vale baixar MP3, vale material que chega das gravadoras.
Junto com as promoções que a Ipanema realiza, a atualização de conteúdo e linguagem implementada por Santos rende à rádio o prêmio de Veículo do Ano de 2002, conferido no 28º Salão da Propaganda Gaúcha, promovido pela Associação Rio-grandense de Propaganda.

Eduardo Santos (1996)
Fonte: Ipanema FM Press, Porto Alegre, 1996. p. 3. Folheto.

Durante parte do período de Eduardo Santos, a Ipanema adota, em sua plástica, uma série de vinhetas gravadas por Luiz Carlos Sadowski, o Tiozinho, décadas depois ainda presentes no imaginário dos ouvintes.






Vinhetas da Ipanema FM (início dos anos 2000)
Fonte: Acervo particular de Luiz Carlos Sadowski.

2 comentários:

  1. Sensacional. Deu saudades agora. Me lembro da Kátia Sumam falando com os "morceguinhos" durante a madrugada. A rádio rock morreu aqui em POA.

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    1. A Ipanema foi um marco da cultura do Rio Grande do Sul. A gente deve muito a caras como Nilton Fernando, Mauro Borba, Jimi Joe, Mary Mezzari, Cagê, Nara Sarmento, Katia Suman, Edu Santos, Alemão Vitor Hugo, Ricardo Barão, Mutuca, Claudio Cunha, Thadeu Malta, Piá... E não adianta: a gente não consegue citar todo esse pessoal.

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