Bira Valdez e a consolidação da marca Bandeirantes no Rio Grande do Sul
2015
Luiz Artur Ferraretto

O panorama das empresas do atual Grupo Bandeirantes de Comunicação no Rio Grande do Sul – Rádio e TV Portovisão Ltda. e Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. – altera-se significativamente em 1993, quando, de início, Ubirajara Leme Valdez assume o telejornalismo do canal 10. No ano seguinte, ascendendo à superintendência regional, uma série de alterações vai ocorrer, algumas positivas, outras nem tanto, mas, no conjunto, consolidando a presença e a imagem da marca Bandeirantes no estado.


Ubirajara Valdez e Hélio Gama no Jornal Gente (1995)
Fonte: Experiência, Porto Alegre: Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, abr. 1995. p. 1.

No dia 15 de fevereiro de 1995, a Band AM estreia uma nova grade, que inclui versões locais, com pequenas alterações, para programas da Rádio Bandeirantes AM, de São Paulo, como O Pulo do Gato, de segunda a sábado, das 6 às 7h30 e das 7h30 às 8h; e, de segunda a sexta, Jornal Gente, das 8h às 9h30; Manhã Band, das 9h30 às 11h30; e Band Acontece, das 14h às 16h. As transmissões esportivas, suspensas desde 1989, também são retomadas com investimentos significativos. Os custos, entretanto, vão superando o faturamento e se transformando em um prejuízo que chega ao ponto máximo após a transmissão da Copa América, de 5 a 23 de julho de 1995, no Uruguai. Como consequência, em outubro, ocorre uma série de demissões, com a programação reduzindo-se aos programas O Pulo do Gato e Jornal Gente, além dos noticiários gerados via satélite de São Paulo e a cobertura esportiva, esta última com a equipe terceirizada. Somente na Central Band de Jornalismo, que atendia às rádios, 10 funcionários são demitidos. A redução repercute, assim, na Band FM, levando à suspensão de alguns dos espaços informativos da estação dos 99,3 MHz e, em seguida, à demissão de Édson Araújo, o responsável pela rádio, repetindo o que havia acontecido com Nilton Fernando no final do ano anterior, também por não concordar com as alterações em curso na Ipanema FM também pertencente ao grupo. Da mesma emissora, Kátia Suman, que assume a coordenação de programação, é dispensada em outubro de 1999, sob o protesto dos ouvintes que congestionam telefones e endereços eletrônicos. Ocorre, portanto, a partir daí, uma redefinição dos rumos das operações em radiodifusão sonora da Bandeirantes no Rio Grande do Sul.


Central Band de Jornalismo (1995)
À esquerda, Ayr Aliski, editor de Cultura. Ao centro, Paulo Franqueira, editor de notícias.
Fonte: Experiência, Porto Alegre: Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, abr. 1995. p. 1.

Com Ubirajara Valdez à frente do grupo no Rio Grande do Sul, a Bandeirantes toma, neste período, várias medidas, algumas ousadas para o mercado gaúcho de então. A Bandeirantes é uma das primeiras empresas de comunicação no estado a flexibilizar os processos de produção, incluindo, neste sentido, as relações de trabalho. Assim, até outubro de 1999, os integrantes da equipe de esportes atuam como prestadores de serviço. De março de 2000 a dezembro de 2001, a estação dos 640 kHz, já com novos programas informativos, e a dos 99,3 MHz apresentam o mesmo conteúdo, diferenciando-se apenas quando da transmissão de jogos do Grêmio Foot-ball Porto-alegrense e do Sport Club Internacional realizados no mesmo horário. Aí, a AM, com maior potência, fica com a partida do interior e a FM, de mais qualidade sonora, irradia a de Porto Alegre. Com a separação das duas em dezembro de 2001, a estação dos 99,3 MHz integra a rede da Band FM, de São Paulo, de teor popular, enquanto a dos 640 kHz segue, sem muitas alterações, com uma programação que privilegia entrevistas, reportagens, serviço e esporte. A Ipanema, por sua vez, veicula programas independentes, como é o caso do Calmaria, da produtora Radioativa, que estreia em abril de 2003. No ano seguinte, o grupo firma uma parceria com a Sidon, empresa de Pedro Paulo Zachia, desenvolvendo um acordo operacional que, em termos práticos, significa, novamente, a terceirização da cobertura esportiva da Band AM.
Os empreendimentos locais inserem-se, ainda, nas iniciativas visando à desregulamentação do setor empreendidas pela direção nacional em São Paulo. Deste modo, desde 1995, as rádios de Porto Alegre apoiam a campanha pela não-veiculação obrigatória do radiojornal Voz do Brasil. Assim, conseguem judicialmente, embasando-se em decisão semelhante beneficiando a matriz do grupo, a possibilidade de transmitir o programa em outro horário. Beneficiadas pela medida, as estações da Rádio e TV Portovisão Ltda. vão utilizar o espaço, ao longo do tempo, de forma diversificada. A Ipanema FM dedica-se à música nacional com o programa Vez do Brasil. Já a Band AM, em um momento, transmite notícias e reportagens; em outro, pende para o policialesco ou para os debates de assuntos gerais ou, sendo mais específica, esportivos.

Até o início da década seguinte, apesar das constantes redefinições de programação devido à sua posição secundária no Rio Grande do Sul, o Grupo Bandeirantes de Comunicação acumula, no estado, várias premiações que demonstram a sua inserção no mercado gaúcho. Entre estas, na área de rádio, podem ser citadas a de Veículo do Ano de 1998, dentro do 17° Prêmio Colunistas, organizado pela revista Propaganda e Marketing, de São Paulo, e concedido à Band AM, que, na época, registra uma elevação de 45% no faturamento. Distinção semelhante recebe a Ipanema FM, em 2002, no 28° Salão de Propaganda, promovido pela Associação Rio-grandense de Propaganda, em função das alterações implementadas por Eduardo Santos, que, assumindo a programação naquele ano, retoma um pouco do perfil original da estação dos 94,9 MHz sem deixar de lado o enfoque comercial e realizando, assim, várias promoções.

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