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Programa Maurício Sobrinho, um auditório na pré-história da RBS
2008
Luiz Artur Ferraretto

Caricatura de Maurício Sobrinho (final dos anos 50)
Produzida por Renato Canini para a Revista TV, publicação especializada que circulou , no Rio Grande do Sul, de novembro de 1954 a novembro de 1960.
Fonte: Acervo particular de José Braz de Oliveira.

Às 14h do sábado, dia 9 de junho de 1956, torna-se realidade “o big lançamento da PRH-2”, como não cansa de registrar, há semanas, o jornal Diário de Notícias, aproveitando-se de uma gíria da época. É a estreia do Programa Maurício Sobrinho. Para a principal aposta da Rádio Farroupilha daquele ano, o diretor artístico da emissora, Ruy Rezende, escala brincadeiras, concursos de prêmios, números humorísticos e traz Sivuca, “o diabo loiro do acordeom”, e Léo Romano, que faz sucesso, então, cantando Os Pobres de Paris, versão em português de La Goulante du Pauvre Jean, de Marguerite Monnot e René Rouzaud, originalmente gravada por Edith Piaf. Rapidamente, nos dias anteriores, as entradas, vendidas a Cr$ 5,00 (cinco cruzeiros, a moeda da época) nas lojas Rainha das Noivas e Norma, esgotam-se, garantindo grandes filas em frente ao cinema desde o final da manhã e reprisando um grande sucesso de 1955 comandado também pelo radialista Maurício Sobrinho.

Na primeira metade da década, para promover o refrigerante Coca-Cola, o Departamento de Rádio da agência de publicidade McCann-Erickson havia criado aquele que iria se tornar, no caso específico do Rio Grande do Sul, o primeiro grande programa de auditório a contar a cada edição com pelo menos um cartaz de renome da música brasileira. Ao longo do ano anterior, pelo mesmo palco do Cinema Castelo, onde Maurício Sobrinho – ou, por vezes, Ary Rêgo – tinha apresentado, nas tardes de sábado da Farroupilha, a versão gaúcha do Tômbola Musical, passaram artistas como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Dircinha Batista e Emilinha Borba. Um dos principais momentos foi quando quatro mil pessoas superlotaram as dependências do cinema para ver e ouvir a cantora Emilinha Borba. Em sua estada em Porto Alegre, a rainha do rádio de 1953 cantou ao microfone da Farroupilha acompanhando a orquestra da Nacional, cujo som chegava do Rio de Janeiro, por linha telefônica, com as duas emissoras em cadeia no mesmo momento em que, na capital federal, acontecia o Programa César de Alencar, então a principal atração de auditório do país.

Com o fim do Tômbola Musical, a direção da Farroupilha decidiu apostar em uma atração de fórmula e horário semelhantes, aproveitando o animador que havia se destacado na condução do programa: Maurício Sobrinho, que, na época, omite o Sirotsky do sobrenome, ele mesmo que, nas décadas seguintes, vai comandar a estruturação do maior complexo de mídia do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina: a Rede Brasil Sul de Comunicação. Ao longo dos 12 meses que se seguem à estreia do Programa Maurício Sobrinho, parcela significativa do impacto obtido pela nova atração da Farroupilha provém da sua extrema capacidade em desenvolver uma forte empatia com o público. Sempre sorridente e seguindo o figurino da época – terno, gravata com prendedor, bigode bem cuidado e cabelo penteado para trás com generosa dose de brilhantina –, o animador demonstra, então, desenvoltura suficiente para ser tratado, em publicações especializadas, como “o papa dos auditórios”.

De início, o programa das tardes de sábado da PRH-2 traz artistas de médio porte, mas ganha audiência crescente, consolidando o investimento de anunciantes a garantir “duas horas ininterruptas de atrações”, como registra eufórico o Diário de Notícias. Nas primeiras semanas, entre os patrocinadores já estão as Lojas Rimpo, “o famoso palácio encantado da avenida Otávio Rocha”; a Refrigerantes Sul-rio-grandense Ltda., fabricante, entre outros, de Pepsi-Cola; a Walgás, do “gás que mais faz”; e os Produtos Polar, da cerveja e do guaraná de mesmo nome. Assim, quando chega o aniversário de um ano, marcando também o fim do Programa Maurício Sobrinho em sua fase na Farroupilha, são inúmeros os cartazes de primeira linha do rádio brasileiro previstos e diversas as promoções. Antecedendo em algumas semanas a festa, em 8 de junho de 1957, os ouvintes acompanham, ao vivo, o bolero do Trio Los Panchos, de renome internacional. No dia 22, ponto alto das comemorações, quatro radiopatrulhas e um contingente significativo da Guarda Civil têm dificuldade para conter o público em frente ao Auditório Associado, palco da programação especial em que o animador despede-se da PRH-2. Grandes filas formam-se ao longo da rua Siqueira Campos para assistir Ângela Maria e Marlene, do Rio de Janeiro, e Germano Mathias e Salomé Parísio, de São Paulo, além de diversas outras atrações, incluindo artistas das rádios Gaúcha e Itaí. Fatias de um bolo de 600 kg e miniaturas de Champanhe Michelon, com o nome do programa no rótulo, são distribuídas ao público, que, ao final, é comunicado da saída de Maurício Sobrinho, substituído, a partir de então, por José Salimen Júnior e o Vesperal Farroupilha. O fim do programa não significa, no entanto, uma derrota. Sirotsky sai da PRH-2 como radialista e se transfere para a PRC-2 – Rádio Gaúcha, como um dos sócios no processo de aquisição da emissora por Arnaldo Ballvé.

Maurício Sobrinho e Salomé Parísio (22 de junho de 1957)
Fonte: SCLIAR, Moacyr. Maurício: a trajetória, o cenário histórico, a dimensão humana de um pioneiro da comunicação no Brasil. Porto Alegre: Sulina, 1991. p. 43.

Ouvintes fazem fila para assistir o Programa Maurício Sobrinho (22 de junho de 1957)
Fonte: Revista TV, Porto Alegre, ano 3, p. 10, ago. 1957.

Na nova estação, Maurício Sobrinho vai colocar, ainda, o seu cacife como animador em um ou outro programa, como Grandes Espetáculos Dominicais, das 10 às 12h, e Calouros Anil Ideal, das 18h30 às 19h30, ambos aos domingos. De fato, até o início dos anos 1960, a passagem do radialista por este tipo de atração reveste-se de um caráter episódico, servindo para lançar um determinado horário, com outro profissional logo assumindo a condução. Mesmo assim, o nome do animador é suficiente para que, em março de 1960, quando começam a circular informações sobre o retorno do Programa Maurício Sobrinho, a imprensa especializada registre a notícia como “a grande nova” do ano no rádio do Rio Grande do Sul. A reestreia acontece no domingo, dia 1° de maio, às 10h, com as apresentações artísticas estendendo-se até o meio-dia no palco do Cinema Castelo. À época, uma vinheta cantada introduz o animador, brincando com um dos seus traços fisionômicos e marcando a abertura do programa:

– A Gaúcha apresenta/ o programa que arrebenta/ pelos risos, emoções,/ humorismo e sensações/ comandado pelo Big Nariz/ para fazer você feliz./ Novamente, é domingo/ e um elenco inteirinho./ É pra você/ e seu vizinho,/ o programa,/ o Programa Maurício Sobrinho...

E, mal deixando a música terminar, sobrepõe-se a voz inconfundível do animador:

– Alô, amigos do Rio Grande do Sul e do Brasil. Um bom dia para todos e uma vez mais aqui estamos para o nosso encontro de todas as semanas. Que corra tudo bem com vocês e vamos logo com as nossas atrações deste domingo.


Aos poucos, no entanto, de uma participação minoritária, Sirotsky ganha espaço como administrador. De fato, de início assume também a direção da Gaúcha, trocando, logo depois e em definitivo, o microfone dos auditórios pelas mesas de reunião dos empresários e, aos poucos, vai constituindo a RBS, um império multimídia hoje, 50 anos após aquela tarde de sábado de parar o trânsito em frente ao Cinema Castelo.

Maurício Sirotsky Sobrinho revive o Programa Maurício Sobrinho (1977)
Entrevista realizada por José Antônio Daudt para o programa Opinião Pública, da Rádio Difusora Porto-alegrense, transmitido em 26 de setembro de 1977.
Fonte: Acervo do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa.
De empregado a patrão, a transição de Maurício Sirotsky Sobrinho
2007
Luiz Artur Ferraretto

Arnaldo Ballvé e Maurício Sobrinho (julho de 1957)
Fonte: Folha da Tarde, Porto Alegre, 3 jul. 1957. p. 32.

Junho de 1957. Um desafio coloca-se à frente de Maurício Sobrinho, que do nome artístico omite então o sobrenome Sirotsky. Deixando o posto – muito confortável, diga-se de passagem – de principal animador de auditório na principal rádio do estado, a Farroupilha, ele começa a transição de empregado para patrão.

Junto com Arnaldo Ballvé, proprietário das Emissoras Reunidas, um grupo, na época, de 15 estações de rádio do interior gaúcho, Maurício é o nome mais conhecido da nova composição acionária da PRC-2 – Rádio Gaúcha, assumindo ainda o cargo de diretor da emissora. A relação entre os dois começara em 1946, quando Ballvé montou a Rádio Passo Fundo, colocando na gerência Maurício, então um dos locutores da Propaganda Sonora Guarany, o serviço de alto-falantes que funcionava no centro da cidade. Em junho de 1950, criam juntos a Rádio Publicidade, voltada à representação comercial, em Porto Alegre, das Emissoras Reunidas e outras estações do interior do Rio Grande do Sul. Sete anos depois, sem a participação de Ballvé, Maurício Sobrinho, com outros sócios, inaugura a Mercur Publicidade, negociando, em seguida, sua parte na agência em troca de títulos para participar da compra da Gaúcha, até então controlada pela Comercial, Industrial, Representações, Exportações e Importações S.A. (Cirei), que, por sua vez, adquirira a estação dos herdeiros de Arthur Pizzoli. A PRC-2, embora não possua grandes dívidas, fatura pouco mais da metade do que gasta para se manter funcionando. No negócio em que é sócio minoritário, Maurício começa a se transformar no principal empresário do setor de comunicação de massa do Sul do país, à medida em que vai criando a Rede Brasil Sul. Nos primórdios da RBS, mescla esforço, aproveitamento dos recursos existentes, prestígio pessoal e uma certa dose de intuição e ousadia.

No dia 3 de julho, às 21h35, os novos proprietários da Gaúcha anunciam ao microfone da PRC-2 a sua integração às Emissoras Reunidas, formando no futuro, como registram os jornais, “a primeira grande cadeia fixa do Rio Grande do Sul”, o que nunca vai se efetivar. Conforme registro da Junta Comercial, duas semanas depois, no dia 18, uma Assembleia dos acionistas da Rádio Sociedade Gaúcha S.A. efetiva a reestruturação societária. Arnaldo Ballvé fica com 51% do negócio, com o restante dividido em três partes iguais entre Frederico Arnaldo Ballvé, Maurício Sobrinho e Nestor Rizzo.

Pelo seu passado nas Reunidas, o novo diretor geral da Gaúcha não é um profissional avesso à administração do rádio como empresa. No processo de transformação do radialista do início do mês de junho para o radiodifusor 30 dias depois, Maurício Sobrinho carrega consigo a intuição com a qual escolhia, antes, as atrações do seu programa e segue, a partir de então, definindo o rumo dos seus negócios. Conhecedor do meio artístico, aproveita, de início, profissionais remanescentes do elenco da Gaúcha. Assim, o humorista Carlos Nobre ganha espaço e – baseado no Miss Campeonato, da Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro – cria o Campeonato em Três Tempos, um grande sucesso de público. Ele valoriza também o maestro Karl Faust, reestruturando em torno dele a orquestra da Gaúcha.

De certa forma, Maurício Sobrinho – ele próprio um dos principais trunfos da PRC-2 – começa a confundir a sua imagem com a da emissora. Se, de um lado, administra a rádio, de outro, vai em busca da audiência, colocando ao microfone o seu prestígio de melhor animador do Rio Grande do Sul na época, conforme o tradicional concurso promovido na época pela Revista TV. Logo depois da compra da Gaúcha, por exemplo, como registra esta publicação, o diretor da PRC-2 conduz, aos domingos, das 10 às 12h, Grandes Espetáculos Dominicais, “cantores, cortinas cômicas, brincadeiras, prêmios e a participação de um cartaz da radiofonia paulista ou carioca”; e, das 18h30 às 19h30, Calouros Anil Ideal, espaço para “a participação de aspirantes ao rádio”.

Tudo vale, na época, para chamar a atenção. Um exemplo é a iniciativa de Maurício no final da década de 1950, logo após a instalação da segunda estação das Reunidas na capital. Contando com a boa vontade do ouvinte, que necessita de dois receptores e colocando um canal de transmissão na Gaúcha e o outro na recém-inaugurada Porto Alegre, o diretor da PRC-2 realiza, assim, a primeira transmissão com som estereofônico do estado, cujo efeito prático ficaria reduzido ao de uma mera curiosidade.

Maurício Sirotsky Sobrinho (12 de fevereiro de 1983)
Entrevista realizada por Rochele Hudson na Rádio Jornal do Comércio.
Fonte: Acervo da Rádio Gaúcha.
Flávio Alcaraz Gomes e a liderança da Gaúcha
2007
Luiz Artur Ferraretto


Maurício Sirotsky Sobrinho e Flávio Alcaraz Gomes (1986)
Fonte: GOMES, Flávio Alcaraz. Diário de um repórter. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1995. p. 252.


Um dos fundadores da Rádio Guaíba, Flávio Alcaraz Gomes vai conduzir na Gaúcha o processo que leva a emissora da Rede Brasil Sul à liderança do segmento de jornalismo no Rio Grande do Sul. Antes de colocar o jornalista à frente deste empreendimento, a RBS vai, no entanto, penar com seus erros e indecisões.

Em 1981, a Gaúcha dá dois passos para trás após um para frente. Já ocorrera antes. Nos anos 1970, várias vezes. O jornalista Luiz Figueredo impulsionou o noticiário em meados da década e viu a empresa quase desistir da ideia em seguida. Na virada para os anos 1980, foi a vez de Ruy Carlos Ostermann viver situação semelhante. Nos anos que se seguiram à estreia e à consolidação do programa Sala de Redação, nunca, no entanto, a emissora apostara em uma programação tão eclética – e fora de seu contexto – como em janeiro de 1981, quando o jornalismo restringe-se às poucas entrevistas do Atualidade, com Mendes Ribeiro, e aos textos informativos do Correspondente Maisonnave, então com quatro edições, e do Gaúcha Notícias, veiculado quase de hora em hora. Pendendo para o popular, programas como Gaúcha Hoje, com Cláudio Monteiro, no início da manhã, e Tudo sob Controle, com Celso Ferreira, à tarde, incluem personagens humorísticos, atendem ouvintes, apresentam listas de preços de feiras livres e música voltada às classes B e C. Além disto, conforme o então editor do Correspondente Maisonnave, Cláudio Moretto do Nascimento, também os repórteres têm suas funções reduzidas:

– Repórter não falava na rádio, os repórteres serviam só para fazer apuração, eles tinham excelentes fontes, eles ligavam para as fontes, eles iam nos locais, mas era só texto. Eles pegavam o telefone, ou voltavam para a rádio, passavam as informações para os redatores, os redatores faziam o texto, os editores botavam no ar.

Quase na mesma época, a compra da Farroupilha dota a RBS de uma estação que canaliza para si os recursos humanos de perfil mais adequado às classes C, D e E. Por outro lado, o insucesso da Gaúcha indica a necessidade de encontrar um profissional capaz de dirigir a rádio no rumo do jornalismo em tempo integral. Em 1983, a Rede Brasil Sul conclui que o profissional talhado para a função é Flávio Alcaraz Gomes, “uma explosão de ideias e de trabalho”, na definição de Pedrinho Sirotsky, naquele momento diretor-adjunto da Divisão Rádio da RBS. Deste modo, Flávio assume a gerência-executiva da emissora, colocando a Gaúcha, novamente, no rumo do jornalismo, que, gradativamente, vai ocupando cada turno da programação. Com o esporte já se igualando – e mesmo superando – a equipe da Guaíba, criam-se as condições necessárias para que a estação da família Sirotsky torne-se a líder no segmento.

Em outubro, estreia o Gaúcha Repórter, apresentado à tarde por José Antônio Daudt, que, fiel à sua denominação, deixa, por vezes, o estúdio da rádio, ora descrevendo o cotidiano – por exemplo, o do Juizado de Pequenas Causas de Porto Alegre, então uma novidade e tema de um dos primeiros programas –, ora acompanhando um fato importante direto do seu palco de ação – para citar um destes locais, o Congresso Nacional, em Brasília, de onde é irradiado, no dia 14 de janeiro de 1985, véspera da reunião do Colégio Eleitoral que vai escolher Tancredo Neves como presidente da República. No Gaúcha Repórter, a música começa a ceder lugar à informação dentro da emissora.

As transmissões ao vivo dos grandes fatos, estendendo-se por horas, começam a caracterizar o jornalismo da Gaúcha. É assim, em 13 de abril de 1984, com “o maior comício da história de Porto Alegre”, como a imprensa da capital define, no dia seguinte, a concentração que reúne entre 100 mil e 200 mil pessoas no largo da Prefeitura de Porto Alegre, defendendo as eleições diretas para a Presidência da República.

Repete-se com a eleição indireta de Tancredo Neves, encerrando o regime militar em 15 de janeiro de 1985. Exigindo o envolvimento de toda a equipe da Gaúcha, volta, em seguida, ao longo dos 38 dias em que o Brasil acompanha o quadro de saúde do presidente eleito, que se agrava após a cirurgia intestinal de urgência realizada às vésperas da posse. Da morte de Tancredo, em 21 de abril, até o enterro, três dias depois, a rádio da RBS, falando de vários pontos do país, relata as repercussões e as homenagens póstumas ao político mineiro.


Anúncio do programa Flávio Alcaraz Gomes Repórter (março de 1985)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 24 mar. 1985. p. 58.


Em meio a este esforço jornalístico, a Gaúcha reestrutura a sua programação matutina, que, no dia 25 de março, passa a incluir duas novas atrações: Flávio Alcaraz Gomes Repórter, das 7h30 às 8h e das 9h30 às 10h30, apresentado pelo próprio gerente-executivo da emissora; e Debates Rádio Gaúcha, das 10h30 às 11h30, comandado por Enio Melo e contando com a participação de Jussara Gauto, Paulo Sant’Ana e Pedro Américo Leal. Um pouco antes, no dia 4 de fevereiro, o horário da meia-noite às 3h já havia sido preenchido com a estreia de Jayme Copstein no Gaúcha na Madrugada. A música fica restrita, assim, a poucos períodos ao longo da programação, em que, cada vez mais, repete-se o slogan criado por Flávio Alcaraz Gomes, gestor de todo este processo, e pela Símbolo Propaganda – “Gaúcha – A fonte da informação” –, sem dúvida um dos mais fortes da história do rádio no Rio Grande do Sul.


Flávio Alcaraz Gomes Repórter (14 de dezembro de 1987)
Fonte: Acervo particular de Flávio Alcaraz Gomes.
Sérgio Zambiasi, do rádio povão ao Senado Federal
2010
Luiz Artur Ferraretto

Sérgio Zambiasi e ouvintes do Comando Maior na Farroupilha (1986)
Fonte: MELLO, Maria Inês. O fenômeno Zambiasi: o comunicador das massas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1987. p. 42.

Em uma manhã de sábado no primeiro semestre de 1990, o sol forte, quase a pino às 11h30, contrasta, neste final de verão, com o ar bem mais frio do início do dia, lá pelas 6 ou 7h, quando uma fila considerável já aguardava em frente ao prédio de dois andares, número 919 da avenida João Pessoa. Ali, quem chega dá de cara, logo à esquerda, com uma mulher gorda, daquelas negras de pele bem marrom a contrastar com a dentadura alva, às vezes mostrada em uma forte gargalhada, às vezes escondida pelos lábios marcantes. É uma ex-prostituta, ex-traficante, ex-presidiária, apelidada Nega Diaba, logo também a primeira afro-brasileira a ocupar um mandato na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Ainda sem saber nada de sessões, quóruns ou jetons, Tereza Franco, com uma simpatia contagiante, distribui fichas, 400 nas segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras de grande movimento, mas que, hoje, não chegam à metade. Pelo corredor, abafado e mal-cuidado, as pessoas acomodam-se como podem, aguardando o acesso ao estúdio da Rádio Farroupilha, onde o comunicador Sérgio Zambiasi escuta e põe no ar as mazelas cotidianas destes moradores de favelas e de bairros periféricos. Não de todos: a grande maioria já foi atendida por seus colaboradores, uma equipe que, além da produção do programa Comando Maior, inclui advogados e alguns outros auxiliares voluntários. Ao microfone, somente os casos mais graves, desesperadores e – óbvio – interessantes, porque a rádio, afinal, vive de audiência. A um canto do estúdio, uma estatueta barata do Menino Jesus de Praga parece abençoar o radialista de sotaque característico, uma mistura, como o próprio Zambiasi explica, de dialetos italianos – vêneto e trentino – com algo de um alemão mais gutural. A devoção religiosa, sugerida por uma ouvinte, é reforçada por um acidente de carro na freeway, a estrada que liga a capital ao litoral norte. Ele jura ter sido salvo por uma outra imagem, bem menor, colocada sobre o painel do Corcel II, carro aliás que o apresentador nega, mas fez parte do pacote envolvendo a sua contratação pela emissora.

Àquela gente pobre, de olhares amargurados, pele marcada por rugas e roupas simples, não chama muito a atenção a presença de um ministro da Saúde na Farroupilha. De passagem pela capital gaúcha, como único compromisso em veículos de comunicação, Alceni Guerra visita, para o espanto de alguns jornalistas, o estúdio acanhado, onde sobre a mesa, próxima ao telefone, há uma Bíblia, quase sempre aberta nos Salmos, uma das fixações de Zambiasi. O ministro, com a mesma intimidade dos ouvintes, prefere chamar o radialista de Sérgio e agradece, de público, o trabalho assistencial do comunicador. De fato, agradece o apoio do deputado estadual mais votado da história do Rio Grande do Sul ao presidente Fernando Collor de Mello na eleição de 17 de dezembro de 1989. Lá fora, no corredor, indiferentes aos políticos, algumas pessoas, câmera fotográfica Kodak Instamatic à mão, aguardam a oportunidade de registrar um momento junto ao ídolo, que não é senhor ou Zambiasi. É quanto muito seu Sérgio ou apenas Sérgio mesmo.

Esta cena assisti como repórter da Rádio Gaúcha, em meio a um numeroso grupo de jornalistas. A pauta, de certo modo, pagava também tributo ao responsável pelo sucesso comercial do segmento popular dentro do Grupo RBS. Pouco menos de sete anos antes, a Farroupilha, que recém havia passado ao controle dos Sirotsky, havia estacionado em sexto lugar na audiência. A rádio que crescia – ameaçando, inclusive, a líder Caiçara – era a Difusora, que, de janeiro a junho, pulara da nona para a segunda posição, graças, justamente, à presença de Sérgio Zambiasi.

Na rádio da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, a fórmula do radialista inclui levar o ouvinte para dentro do estúdio, escutando seus problemas em meio a músicas sertanejas e românticas, além de um farto noticiário policial. Fora isto, sempre que possível, apelando à solidariedade, com citações bíblicas de uma religiosidade senso comum, o comunicador faz campanhas para arrecadar cadeiras de rodas, aparelhos ortopédicos, inaladores, remédios... A cada intervenção, Sérgio Zambiasi simula um contato interpessoal com outros participantes do programa e mesmo com os ouvintes. De um lado, ao microfone, está o descendente de italianos, natural de Encantado, no Vale do Taquari, região colonizada por imigrantes. De outro, os ouvintes espalhados pelas áreas pobres da Região Metropolitana de Porto Alegre que são, como ele, procedentes de zonas de economia predominantemente agropecuária, os protagonistas do êxodo rural. Como oriundi, Zambiasi, voz sem impostações, trai o sotaque facilmente identificável, além de utilizar o jargão gauchesco – “Bah!”, “Barbaridade!”, “Não é mesmo, tchê?”... –, parecendo repetir a cada sílaba: “Eu sou como vocês”.

É ele que estreia no dia 29 de junho de 1983 na Farroupilha. Apenas 13 dias depois, a emissora já lidera a audiência geral na Região Metropolitana, posição que mantém com tranquilidade nas décadas seguintes. Ao longo dos próximos 22 anos, a construção da marca da rádio no segmento popular será tão forte que, mesmo a saída de Zambiasi, já então senador, em nada afetará esta liderança da Farroupilha.


Abertura do programa Comando Maior (8 de maio de 2002)
Fonte: RÁDIO FARROUPILHA AM. Comando Maior. Porto Alegre, 8 maio 2002. Programa de rádio.


Trecho do programa Comando Maior (10 de junho de 1991)
Fonte: RÁDIO FARROUPILHA AM. Comando Maior. Porto Alegre, 10 jun. 1991. Programa de rádio.
O início da Atlântida FM, a rádio jovem da RBS
2014
Luiz Artur Ferraretto

Teaser da Rádio Atlântida FM (janeiro de 1981)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 24 jan. 1981. p. 39.


Anúncio da Rádio Atlântida FM (25 de janeiro de 1981)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 25 jan. 1981. p. 25.

Depois de uma breve experiência em ondas médias no segmento musical jovem com a Rádio Porto Alegre, a Rede Brasil Sul volta a apostar, no início da década de 1980, em emissoras para este público no bem mais lucrativo de frequência modulada. Convertido em empresário, José Pedro Pacheco Sirotsky terá papel de destaque. É ele que, ao tomar contato com FMs deste estilo nos Estados Unidos tenta, sem sucesso, persuadir o pai, Maurício Sirotsky Sobrinho, a transformar, já em 1976, a outorga obtida junto ao Ministério das Comunicações em uma emissora jovem. O diretor-presidente da RBS, no entanto, prefere criar a Gaúcha-Zero Hora FM, voltada como as suas contemporâneas a uma espécie de sonorização de ambientes – escritórios, consultórios médicos... –, só se convencendo do contrário após a inauguração, em novembro de 1979, na capital do Rio Grande do Sul, da Cidade FM, ligada ao grupo do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.

Deste modo, a Rede Brasil Sul começa a expandir as suas operações em frequência modulada, inaugurando sucessivamente três emissoras em Pelotas (18 de dezembro de 1979), Santa Maria (23 de janeiro de 1980) e Passo Fundo (25 de maio de 1980). A programação, já dirigida aos ouvintes das classes A e B, oscila entre vários gêneros, predominando as músicas mais vendidas dentro deste público-alvo. Perdendo parte da sua denominação original, a estação de Porto Alegre tem o seu ecletismo resumido, na época, pelo slogan “Gaúcha FM, rádio com alegria de viver”.

No final de 1980, a RBS decide centrar no público jovem a atuação de sua rede de FMs, escolhendo quase por acaso, em uma conversa com Pedro Sirotsky, o locutor Bira Brasil propõe a denominação do novo empreendimento:

– Eu tenho o nome! Atlântida!

– Repete pra mim...

– Atlântida!

– Por que Atlântida?

– Inspiração no continente perdido de Atlântida. Mistério... Magia...

Marcada para o dia 25 de janeiro de 1981, uma intensa campanha precede o início das transmissões da Atlântida FM, como passam a ser identificadas, em um primeiro momento, cinco emissoras do Rio Grande do Sul e Distrito Federal, logo acrescidas de mais duas estações em Santa Catarina. Aproveitando o abrandamento da censura no que então se conhecia como “moral e bons costumes”, teasers de um leve conteúdo erótico aparecem no jornal Zero Hora, nas futuras rádios, na TV Gaúcha e nos canais de televisão das cidades do interior abrangidas pelo sinal das FMs do grupo. Nas chamadas de lançamento, uma voz sensual marca o mote “Vem comigo, vem”. Também aparecem outras frases de forte apelo junto ao público masculino – “Vem, vamos fazer os melhores programas juntos. Eu fui feita para você.” –, ao que se soma, mais tarde, um slogan ousado para os padrões do início dos anos 80: “Atlântida FM, põe e deixa”.

Trechos do programa Transatlântida (30 de dezembro de 1984)
Na apresentação, o comunicador Sergio Do Erre.
Fonte: Acervo particular de Wanderlei de Brito.
A RBS passa a controlar a Rádio Cidade FM
2015
Luiz Artur Ferraretto
 
Anúncio da Rádio Cidade FM (março de 1985)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 22 out. 2003. p. 35.

Em meio à crise dos empreendimentos da família Nascimento Britto, que controla o Sistema Rádio Jornal do Brasil, a Rede Brasil Sul adquire, em 1990, a Cidade FM, de Porto Alegre, mantendo quase a mesma programação e chegando a retransmitir, mesmo após a mudança de proprietário, conteúdo gerado na antiga cabeça de rede, lá do Rio de Janeiro. Dois anos antes, tradicionais sucessos da concorrente chegam a se transferir para a Atlântida FM, como o programa Love Songs, que se transforma no Love 94, mantendo a fórmula baseada nas dedicatórias de músicas, geralmente, românticas, “as melhores emoções, as mais lindas canções” em uma “noite de muito amor”, na definição habitual do apresentador Arlindo Sassi. Em meio a boatos de que o objetivo da RBS é desarticular a Cidade, o que acontece, após a incorporação da emissora, demonstra as dificuldades do grupo em estabelecer uma estratégia definida para gerenciar de forma lucrativa duas estações em FM destinadas ao público jovem. De fato, concorrendo entre si, cada uma tira ouvintes da outra.
No ano de 1992, ocorre uma reestruturação da área de radiodifusão sonora da Rede Brasil Sul. O Sistema RBS Rádio fica sob a direção de Renato Sirotsky, com Armindo Antônio Ranzolin assumindo um cargo semelhante na Gaúcha, que ganha mais independência administrativa. Na época, já são fortes os indícios de que grupos de fora do estado – como Jovem Pan e Transamérica – voltam, crescentemente, suas atenções para o Rio Grande do Sul. Dentro de uma nova estratégia para o segmento musical jovem, a Atlântida, em termos de linguagem, aproxima-se das estações do centro do país. A apresentação torna-se mais gritada, com grande número de vinhetas. Do humorístico Pânico, da Jovem Pan FM, de São Paulo, em 1995, Renato Sirotsky traz Carlos Roberto Escova para integrar a equipe do Programa X, apresentado, de segunda a sexta, das 13 às 14h, horário em que se destacam os personagens e as tiradas satíricas dos radialistas Eron Felipe Dalmolin e Rogério Forcolen, tudo sob a intermediação de Alexandre Fetter, espécie de âncora da atração. No ano seguinte, o lançamento de um CD com músicas em tom de paródia marca o apogeu do Programa X, que, em abril de 1997, sai do ar. Um pouco antes, no primeiro semestre de 1995, com a Universal FM, da Rede Pampa, crescendo até atingir a liderança geral em junho, a direção da RBS contrata Mauri Grando, responsável pelo bom desempenho da emissora de Otávio Gadret, para redefinir o perfil da Cidade FM:

– Eles queriam ter uma rádio jovem popular, só que faziam uma rádio jovem popular só no nome. A programação continuava voltada para o Moinhos de Ventos. A unidade móvel não ia para a Restinga, ia para a avenida Goethe. E eu fui contratado justamente para dar um fim nesta história. A Atlântida e a Cidade estavam correndo muito juntas. Como a Atlântida era uma rede, a Cidade não conseguia recuperar a audiência perdida... No momento em que a RBS comprou, não soube o que fazer com a rádio. Então, me convidaram para realizar esse trabalho. E a orientação foi a seguinte: nós queremos fazer uma rádio para ser primeiro lugar. A Atlântida vai ser cada vez mais A e B, mais qualificada, e nós queremos uma rádio para pegar o primeiro lugar.

Mauri Grando (2001)
Fonte: E aí?, Porto Alegre, ano 1, n. 23, p.13, 30 nov.-6 dez. 2001.

Da Universal, com o novo coordenador de programação da Cidade FM, transferem-se, em seguida, os comunicadores Adriano Morais e, voltando depois de ter o Love Songs considerado ultrapassado no início da década, Arlindo Sassi. Até o final do ano, a Cidade ocupa o primeiro lugar nas pesquisas do Ibope e a Atlântida, o segundo. Antes das alterações, em maio, a emissora havia perdido o quarto lugar para a Liberdade, voltada ao regionalismo gaúcho. No segundo semestre, no entanto, a rádio da RBS desbanca, ainda, a Eldorado, também de Gadret, dedicada ao pagode, que cai para a terceira posição. A partir daí, a Cidade, voltando-se às classes B, C e D, recupera-se financeiramente e vai liderar, durante anos, a audiência na Grande Porto Alegre.

A Cidade FM chega, assim, ao início do século 21 com um público bem-definido – jovens de 15 a 19 anos das classes B, C e D – e tocando funk, baladas sertanejas, músicas românticas, enfim, tudo o que aparecer como sucesso nas paradas comerciais, nos pedidos dos ouvintes ou em programas populares de televisão. As ameaças à liderança da emissora  vêm de estações de público com faixa etária mais ampla, pertencentes à Rede Alegria de Rádios – Alegria FM –, à Rede Pampa – Eldorado FM e 104 FM – e ao Sistema Tartarotti de Comunicação (Sitarcom) – Metropolitana FM. Esta última é incorporada, tempos depois, em dezembro de 2004 à Rede Brasil Sul.


Rádio Rural e o projeto de segmentação em agrobusiness do Grupo RBS
2015
Texto atualizado em 2019.
Luiz Artur Ferraretto

Anúncio da festa de lançamento da Rádio Rural (dezembro de 1999)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 15 dez. 1999. p. 57.

Escudada no sucesso de iniciativas como os programas Galpão do Nativismo, na Rádio Gaúcha, e Galpão Crioulo, na RBS TV, ambos então apresentados por Nico Fagundes, o Grupo RBS volta-se para o segmento regionalista em 1999. Assim, em 18 de dezembro daquele ano, entra no ar a Rural AM, nos 1.120 kHz, anteriormente ocupados pela CBN, que se transfere para os 1.340 kHz, frequência até então da Educadora, parceria do grupo com a Fundação Educacional Padre Landell de Moura (Feplam). A nova estação surge, portanto, com 50 kW de potência. Da equipe inicial, fazem parte alguns músicos ligados ao regionalismo gaúcho, como Ernesto Fagundes, Luiz Carlos Borges, Maria Luiza Benitez, Nico Fagundes e Rui Biriva. A rádio, como registra, no dia 15 de novembro de 1999, o jornal Zero Hora, trabalha em colaboração com o Canal Rural, também pertencente, na época, à família Sirotsky, especializado em agronegócios e integrante do pacote das TVs por assinatura Net e Sky.
Além de preservar a tradição, a nova emissora vai dar espaço ao neo-regionalismo, dentro de uma visão contemporânea. A informação também é prioridade. Boletins com a cotação de produtos agrícolas, meteorologia e agrobusiness serão transmitidos de hora em hora. Para obter as notícias, a Rádio Rural conta com redação própria e também vai trabalhar em sinergia com o Canal Rural.
Para marcar o início das transmissões, a RBS promove um espetáculo de música gauchesca no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, a antiga estância da Harmonia, ponto habitual de concentração de tradicionalistas na capital gaúcha. A escolha dos artistas convidados já demonstra um certo ecletismo, reunindo vertentes rurais e urbanas, telúricas e dançantes, do regionalismo da família Fagundes à tchê music de grupos como Tchê Barbaridade.
Em 2001, ampliando a atuação da rádio para o ramo de agronegócios, a programação é alterada, criando, ainda, a Rede Rural Sat, mesclando jornalismo especializado, serviços e música regionalista, com predominância do nativismo, uma vertente de raiz telúrica, mas com abertura para sonoridades e temas contemporâneos. Chegam a retransmitir o sinal de 14 estações da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A iniciativa, no entanto, vai ser descontinuada.
Ao longo da década seguinte, gradativamente, o Grupo RBS desinteressa-se pelo segmento. O ápice do processo é o repasse do Canal Rural, em 2013, para a holding J&F. No caso específico da Rádio Rural, a emissora vai seguir sob o controle da família Sirotsky, sofrendo com a falta de investimento e a acelerada redução de audiência das estações em amplitude modulada. Depois de um período com a programação reduzida a um play-list de música gauchesca, a emissora terminou sua trajetória de forma drástica. Em 2018, a outorga foi devolvida pelo Grupo RBS ao governo federal. 

Vinheta da Rádio Rural (março de 2000)
Fonte: Acervo pessoal.


Chamada do programa Um Canto Rural (março de 2000)
Fonte: Acervo pessoal.

Abertura de A Hora do Mate (março de 2000)
O cantor nativista Ernesto Fagundes apresentava o programa que ia ao ar às 17h, de segunda a sexta-feira.
Fonte: Acervo pessoal.