O início da Atlântida FM, a rádio jovem da RBS
2014
Luiz Artur Ferraretto


Teaser da Rádio Atlântida FM (janeiro de 1981)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 24 jan. 1981. p. 39.


Anúncio da Rádio Atlântida FM (25 de janeiro de 1981)
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 25 jan. 1981. p. 25.

Depois de uma breve experiência em ondas médias no segmento musical jovem com a Rádio Porto Alegre, a Rede Brasil Sul volta a apostar, no início da década de 1980, em emissoras para este público no bem mais lucrativo de frequência modulada. Convertido em empresário, José Pedro Pacheco Sirotsky terá papel de destaque. É ele que, ao tomar contato com FMs deste estilo nos Estados Unidos tenta, sem sucesso, persuadir o pai, Maurício Sirotsky Sobrinho, a transformar, já em 1976, a outorga obtida junto ao Ministério das Comunicações em uma emissora jovem. O diretor-presidente da RBS, no entanto, prefere criar a Gaúcha-Zero Hora FM, voltada como as suas contemporâneas a uma espécie de sonorização de ambientes – escritórios, consultórios médicos... –, só se convencendo do contrário após a inauguração, em novembro de 1979, na capital do Rio Grande do Sul, da Cidade FM, ligada ao grupo do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.

Deste modo, a Rede Brasil Sul começa a expandir as suas operações em frequência modulada, inaugurando sucessivamente três emissoras em Pelotas (18 de dezembro de 1979), Santa Maria (23 de janeiro de 1980) e Passo Fundo (25 de maio de 1980). A programação, já dirigida aos ouvintes das classes A e B, oscila entre vários gêneros, predominando as músicas mais vendidas dentro deste público-alvo. Perdendo parte da sua denominação original, a estação de Porto Alegre tem o seu ecletismo resumido, na época, pelo slogan “Gaúcha FM, rádio com alegria de viver”.

No final de 1980, a RBS decide centrar no público jovem a atuação de sua rede de FMs, escolhendo quase por acaso, em uma conversa entre Pedro Sirotsky e o locutor Bira Brasil, a denominação do novo empreendimento:

– Sabes, Pedro? Lembrei-me ontem de noite do nome da praia em que vocês têm casa. E ouve só como soa bem: A-tlân-ti-da!

Marcada para o dia 25 de janeiro de 1981, uma intensa campanha precede o início das transmissões da Atlântida FM, como passam a ser identificadas, em um primeiro momento, cinco emissoras do Rio Grande do Sul e Distrito Federal, logo acrescidas de mais duas estações em Santa Catarina. Aproveitando o abrandamento da censura no que então se conhecia como “moral e bons costumes”, teasers de um leve conteúdo erótico aparecem no jornal Zero Hora, nas futuras rádios, na TV Gaúcha e nos canais de televisão das cidades do interior abrangidas pelo sinal das FMs do grupo. Nas chamadas de lançamento, uma voz sensual marca o mote “Vem comigo, vem”. Também aparecem outras frases de forte apelo junto ao público masculino – “Vem, vamos fazer os melhores programas juntos. Eu fui feita para você.” –, ao que se soma, mais tarde, um slogan ousado para os padrões do início dos anos 80: “Atlântida FM, põe e deixa”.


Trechos do programa Transatlântida (30 de dezembro de 1984)
Na apresentação, o comunicador Sergio Do Erre.
Fonte: Acervo particular de Wanderlei de Brito.

4 comentários:

  1. O "Põe e deixa" arrepiava a moçada. Depois veio "O sinal na ponta da antena", onde víamos lá no morro o farol da emissora. Cabe, se possível, um artigo sobre a rádio Sucesso. Conheci por dentro, gostava de passar as tardes na rádio ( na camufla, para o Cascalho não saber ). Não me refiro só à época dos noticiários, falo sobre seu início, quando sabiam fazer uma bela seleção musical. Já procurei áudio da emissora, mas nem sinal. Se um dia encontrar o Cascalho, ia gostar muito de falar das minhas lembranças sobre a emissora.

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  2. A ideia é irmos até os anos 2010 e, depois, retomarmos vários assuntos que, por um ou outro motivo, ficaram de fora. A Rádio Sucesso já está nesta lista.

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  3. Esse áudio provavelmente é do final de 84, pois em um dado momento, o apresentador de Blumenau fala sobre "a esperança de um 85 cheio de altas curtições".

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  4. Absoluta razão. Descuido nosso. Já corrigido.

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