Uma rádio que dava samba: a Princesa AM, de Porto Alegre
2018
Luiz Artur Ferraretto

Trata-se de uma emissora cuja história ainda precisa ser pesquisada e analisada em profundidade. Quebrando estereótipos e até enfrentando preconceito, nos anos 1980 e 1990, Porto Alegre – capital brasileira do tradicionalismo gaúcho – possuiu uma emissora dedicada ao samba e ao carnaval. Foi a Princesa AM, situada nos 780 kHz.
A trajetória da emissora começa bem antes. A respeito, registra Octavio Augusto Vampré, no seu livro Raízes e Evolução do Rádio e da Televisão:
Outro grupo, liderado pelos irmãos Ernesto e José Pertilli, a 29 de abril, implantou três emissoras a partir da cidade de Cachoeira do Sul. A Rádio Princesa do Jacuí, em Cachoeira do Sul, uma emissora em Candelária e outra em Porto Alegre. Este mesmo grupo tencionava montar, também, uma emissora de televisão, dentro do mesmo sistema e com a mesma denominação, num plano ousado de instalação na mais alta elevação dos arredores de Cachoeira do Sul, o morro do Botucuraí, de dificílimo acesso, para daí alcançar Porto Alegre através de repetidoras.  
Em 1979, sob o controle da família Jarros, do Jornal do Comércio, de Porto Alegre, a rádio dos 780 kHz usa a mesma denominação do diário especializado em economia e negócios. Na década seguinte, ao adotar uma programação calcada na mais icônica das manifestações culturais brasileira, retoma a denominação original. Além de tocar muito samba, a Princesa vai transmitir diversos carnavais, incluindo o principal de todos, o do Rio de Janeiro. De 1985 a 1996, promove o Samba Sul, uma espécie de festival de samba, geralmente realizado no Gigantinho.
No final da década, a Rede Pampa assume a emissora. A frequência dos 780 kHz passa a ser ocupada pela Rádio Pampa. A marca Princesa vai ressurgir em uma das estações de frequência modulada dos Gadret, por vezes, com uma programação musical inteiramente dedicada ao samba, embora, em alguns períodos, adote outros formatos.

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