O surgimento da Felusp FM
2014
Luiz Artur Ferraretto


Inauguração da Rádio Felusp FM (22 de julho de 1988)
Da esquerda para a direita, ao fundo, Ruben Eugen Becker, reitor da Ulbra, e Roberto Coconut, gerente da rádio. Em primeiro plano, na mesa de áudio, Celso Garavelo, comunicador da emissora.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Universidade Luterana do Brasil.

Com o slogan “A onda que você esperava”, em 22 de julho de 1988, a Grande Porto Alegre ganha uma estação que se propõe a ser uma espécie de college radio. É a Felusp FM, de Canoas, que traz no nome a sigla da Fundação Educacional Luterana São Paulo e opera, de início, nos 88,9 MHz, transferindo-se, dois anos depois, para os 107,1 MHz. Ligada à Universidade Luterana do Brasil e gerenciada por Roberto Coconut, a rádio vai fugir do modelo deste tipo de emissora de baixa potência existente em instituições de ensino dos Estados Unidos, embora se caracterize, em um primeiro momento, pelo mesmo tipo de música de suas correlatas da América do Norte: o rock não-comercial, aqui conhecido como alternativo. Na realidade, a Felusp, em uma elaborada estratégia de marketing, serve de canal de divulgação da Ulbra junto ao público estudantil.

Em 1992, a convite da diretora da Assessoria de Comunicação Social da Ulbra, Sirlei Dias Gomes, o jornalista Mauro Borba assume a gerência, saindo da Ipanema FM. A estreia do comunicador coincide com um show do Barão Vermelho promovido pela Felusp, indicando também que a universidade começa, então, a ampliar os seus investimentos na área de radiodifusão. Uma das primeiras medidas da nova administração é trocar o nome Felusp por 107.1 FM, mais facilmente identificável pelo público.

Cinco anos depois, ocorre a contratação de Alexandre Fetter, da Atlântida FM. Da experiência dele com o pop, base da estação de música jovem da RBS, e da de Mauro Borba com o rock dos tempos da Ipanema, vai ser redefinido o conteúdo da 107.1 FM. Em seguida, inspirada na Rock & Pop, de Buenos Aires, a estação é rebatizada, em uma inversão de maior sonoridade, como Pop Rock, ao que, com frequência, os comunicadores acrescentam a frase “A rádio da Ulbra”. 

O forte reposicionamento da Pop Rock vai afetar, em especial, a audiência da Atlântida FM, com a estação ligada à universidade chegando a liderar a audiência no segmento musical jovem no final da década seguinte. Isto, no entanto, já é outra história.

Um comentário:

  1. Os primeiros comunicadores foram Celso Garavello, Luiz Cláudio Farias, Mauro Moreira e Marco Antonio. Quando cheguei na Felusp FM para substituir Mauro Moreira, vinha de uma emissora FM popular, a Rádio Regente FM de Sapiranga. Na “rádio da Ulbra” tive o privilégio de trabalhar com Roberto Souto Coconut (finado) que desempenhava o papel de gerente da emissora junto com a professora Sirlei Dias Gomes, esta mais voltada a área de marketing.
    Na locução Luiz Cláudio Farias (hoje na TV Câmara de Caxias do Sul), Viviane Griep e Celso Garavello do Prado. Também estavam Douglas Moacir Flor, responsável pelo jornalismo e Heraldo Schineider pelo departamento comercial.
    Depois veio Carlos Fröilich (finado) que já havia sido meu colega na Rádio Imigrantes FM de São Léo, o Luis Claudio Moreira, Everton Luiz Lima Cunha (mais tarde Mr. Pi), Eduardo Gomes, Mutuca, Paulo Henrique Farias, o PH. Também Beth Prata, Roger Vox, Márcia Papaléo, Joel Pereira entre outros Ricardo Barão.
    PH fazia o programa “Surf e Ação”, a Viviane fazia as mensagens diárias rodadas de mei em meia hora. Fiz o horário da noite durante muito tempo e foi nesta faixa que conheci diversos talentos de bandas locais, aliás, a Felusp FM tinha essa característica de rodar novos talentos dando oportunidade para as bandas de Canoas mostrar suas obras. A emissora, sem dúvida, foi uma escola, mas sempre em evolução. Começou na frequência 88.9 e mais tarde assumiu o espaço 107.7 elevando o sinal. Garavello lembra que havia muita liberdade para rodar o que queríamos e o que o ouvinte pedisse, obviamente dentro de critérios. Celso foi um dos sobreviventes. Depois que o novo administrador assumiu a rádio deixando o Grupo Band, trouxe consigo sua equipe como o Cagê Lisboa, Porã, Benin, Reinaldo Portanova, Papaléo. Os pioneiros foram vitimas do “passaralho” sem pretexto aparente.

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