Agora, a Guaíba inova no jornalismo nas manhãs do rádio
2014
Luiz Artur Ferraretto


Estreia do programa Agora (14 de julho de 1975)
Da esquerda para a direita, os jornalistas Adroaldo Streck e Flávio Alcaraz Gomes.
Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre, 24 ago. 2002. p. 21.)

Na Rádio Guaíba, a estreia do programa Agora no dia 14 de julho de 1975 delimita o início de um novo processo em que a notícia ganha espaço diário na voz dos seus protagonistas e na de uma série de correspondentes, falando dos mais diversos pontos do país e do mundo. Segundo Flávio Alcaraz Gomes, que, do conceito à execução, enfrentou dois anos de hesitações da direção da emissora, o programa procura, de início, aproveitar a tecnologia disponível na época:

– A ideia surgiu ao perceber que, finalmente, o Brasil estava ligado ao mundo pelas comunicações. Ligações telefônicas julgadas impraticáveis já podiam ser feitas quase instantaneamente. Imaginei correspondentes em locais-chave, falando sobre a manchete do dia. A ideia era pegar o Correio do Povo, ler seu destaque e sair-lhe no encalço, com alguém do local onde se originasse falando a respeito. A notícia e a anatomia da notícia, onde quer ela se encontrasse.

Deste modo, em sua primeira edição, irradiada a partir das 8h10, o Agora põe o ouvinte da Guaíba em contato com os Estados Unidos, o seu panorama político, as chuvas que assolam o país e preparação da acoplagem das naves Apollo XVIII, norte-americana, e Soyuz XIX, soviética; a Argentina, onde o até então todo-poderoso ministro do Bem-estar Social, José López Rega, havia sido destituído dias antes do cargo; a França, que comemora o aniversário da queda da Bastilha e a revolução de 1789; e com as principais capitais brasileiras. Os dados existentes indicam que, a partir deste novo programa, torna-se habitual no radiojornalismo do Rio Grande do Sul a utilização da chave híbrida, equipamento responsável pela conexão da linha externa à mesa de áudio, permitindo a quem está falando com a emissora escutar o som do estúdio no auricular do seu aparelho telefônico.


Programa Agora (17 de novembro de 1975)
Flávio Alcaraz Gomes conversa com o correspondente em Lisboa, o jornalista e escritor Josué Guimarães, sobre a mobilização política na Portugal da Revolução dos Cravos.
Fonte: Acervo particular de Flávio Alcaraz Gomes.

Em 1977, conforme dados da publicação Cadernos do Jornalismo, o custo mensal do Agora chega a Cr$ 100 mil, o equivalente na época a US$ 7 mil, incluindo os salários de produtores, redatores, correspondentes internacionais (em número de nove), nacionais e regionais, além de cachês eventuais e dos gastos com as diversas ligações telefônicas. Nesta fase inicial, destacam-se, por exemplo, edições inteiramente dedicadas à tramitação da emenda constitucional permitindo o divórcio no país, tema polêmico no contexto de então, ou à repercussão da morte do ex-presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, a marcar em cima do fato a opinião de diversas personalidades brasileiras.

Substituindo Flávio Alcaraz Gomes e Adroaldo Streck – pela ordem, os dois primeiros apresentadores do Agora –, o jornalista Amir Domingues vai chegar ao século 21 conduzindo o programa. É ele que, com exclusividade, ouve, no dia 8 de maio de 1992, João Baptista Figueiredo, último presidente do período de ditadura militar, quebrando um silêncio autoimposto pelo general desde o ano anterior. Com repercussão nacional pelas fortes críticas à classe política e ao governo de Fernando Collor de Mello, a entrevista conseguida pelo produtor Linei Zago rende o Prêmio ARI de Jornalismo à equipe do programa.


Programa Agora (1992)
Amir Domingues entrevista João Baptista Figueiredo, o último presidente do regime militar.
Fonte: Acervo particular.

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