Cláudio Monteiro e as novelas de rádio em tempos de internet
2017
Luiz Artur Ferraretto

Uma das novelas produzidas e comercializadas por Cláudio Monteiro (2017)
Fonte: site Radionovelas.

O radialista Cláudio Monteiro é, sem dúvida, um entusiasta. Há anos, dedica-se a manter vivo o radioteatro no Sul do país. Em um estúdio na Zona Norte de Porto Alegre, com outros abnegados, gravou novelas escritas há décadas por autores que cativavam ouvintes e tiveram seus textos adaptados à modernidade por ele. Mantém, ainda, o site Radionovelashttp://www.radionovelas.com.br/ e, vez por outra, publica uma revista com o mesmo nome.

Não são as primeiras investidas de Monteiro no terreno da dramaturgia radiofônica. Detentor dos direitos da obra de Raymundo Lopes, o radialista, de 1993 a 1995, na 1.120 AM, da Rede Brasil Sul, produz, dirige e interpreta várias novelas com relativo retorno de público. Na emissora, chegam a ser irradiadas, com equipe própria, sete produções completas e 20 peças de radioteatro. A apresentação dos 102 capítulos de O homem sem passado é a que faz mais sucesso. Uma promoção realizada pela emissora lembra a época do espetáculo radiofônico, distribuindo 500 fotografias do elenco a ouvintes que enviam cartas com envelopes selados e acompanham o enredo:

Em uma praia muito distante da cidade grande vivem seu Lourenço, dona Maria José, seu Maneco, irmão de Lourenço, e seus filhos Virgínia, uma moça que sonha com seu príncipe encantado, e Pedrinho, que faz suas peraltices na praia. Seu Lourenço e Maneco são exímios pescadores. Todas as noites eles saem para pescar. Foi em uma destas noites que, ao retornarem, encontram um corpo de um homem enrolado em um saco e com um ferimento na cabeça. Levado para a casa dos pescadores, todos tratam do ferido. Passados dois dias, eles descobrem que o moço que encontraram na praia perdeu a memória. Não sabem quem é.

Em meados dos anos 1990, no entanto, a repercussão da trama envolvendo um galã desmemoriado vindo da cidade grande e a mocinha sonhadora da praia interiorana não chega a ser suficiente para empolgar a RBS. A programação voltada ao entretenimento popular acaba substituída pela da Central Brasileira de Notícias, jornalística e parcialmente gerada no centro do país. Novelas como O homem sem passado seguem vivas graças ao empenho de Monteiro e da sua Gossen Produções, coisa de um abnegado fã de radionovelas.


Anúncio da novela O homem sem passado (1997)
Fonte: Acervo particular de José Fontes.

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