Aos 80 anos, Flávio Alcaraz Gomes conta o que viu e viveu
2007

Em homenagem ao meu segundo doutorado, concedido pelo Flávio, posto o texto em sua versão original de 2007.
Luiz Artur Ferraretto

Lançamento de Eu vi!, de Flávio Alcaraz Gomes (23 de junho de 2007)
Da esquerda para a direita, Flávio Alcaraz Gomes, Luiz Artur Ferraretto e Elisa Kopplin Ferraretto.
Fonte: Acervo particular.

A fila parece interminável para quem chega nesta noite de quarta-feira, dia 23 de junho de 2007, ao Studio Clio – Instituto de Artes e Humanismo, no bairro Cidade Baixa, bem pertinho do centro de Porto Alegre. À porta, despedindo-se de um amigo, está o ex-ministro da Justiça, Paulo Brossard. Lá dentro, dezenas de pessoas aguardam pacientemente. E pacientemente, aos conhecidos e aos desconhecidos, o jornalista Flávio Alcaraz Gomes atende com o mesmo sorriso e uma amigável troca de palavras. Espocam flashes e bebe-se vinho. Na parede, um moderno projeto de qualidade digital projeta fotografias e fotografias, uma história de vida e uma história do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo. Muitas histórias em dezenas de páginas. É o lançamento de Eu vi!, o novo livro de um dos mais importantes jornalistas do Sul do país.

Na fila, sinto-me um humilde coadjuvante. Junto com o livro, de texto sempre refinado e extremamente bem-acabado do ponto de vista gráfico, sai como encarte um DVD com o documentário Itinerários de um Repórter, um favor que o Flávio faz ao trabalho realizado por mim, pelos colegas do Centro de Produção Audiovisual da Universidade Luterana do Brasil e por um grupo de estudantes. Fico observando as pessoas, a alegria da família e uma coisa que envolve a todos: um respeito reverencial. Mais adiante aguardando sua vez, está o jornalista Walter Galvani, prêmio Casa de las Américas pelo seu Nau Capitânia, em 2001. Há políticos, muitos profissionais de comunicação, admiradores e até o símbolo maior dos habitantes deste estado, o laçador em pessoa, João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes. E isto que a sessão de autógrafos concorre com o jogo do Grêmio com o Defensor em pleno Estádio Olímpico, de onde vão soar daqui a pouco foguetes e rojões. Foguetes e rojões que parecem também saudar o Flávio que, daqui a dois dias, dia 25, completa oito décadas de vida.

Vou caminhando entre as pessoas e a Elisa, minha companheira, comenta sobre a simpatia do Flávio com todos. Saio, assim, dali, autógrafo no livro e uma certeza na cabeça. Lembro de uns meses antes quando, com a mesma contagiante alegria de guri demonstrada há pouco, o Flávio lia por telefone para mim um texto que, agora, aparece sobre o DVD nas guardas de capa de Eu vi!

– Estudantes da Ulbra – Universidade Luterana do Brasil, sob a direção do doutor em Jornalismo Luiz Artur Ferraretto, produziram Itinerários de um repórter. Narrado por Paixão Côrtes, o filme viaja pela minha vida, desde a emoção que tive ao ver o Zeppelin sobrevoar Porto Alegre até os grandes acontecimentos do século XX que testemunhei. Tudo ou quase tudo, anotei em meus diários que aqui reedito.

Respondi, então:

– Mas Flávio, o título correto é doutor em Comunicação e Informação...
– Ah, eu gosto mais de doutor em Jornalismo.

E quem sou eu para duvidar dele. Se disse, está dito. Esta certeza eu tenho. E, assim, outorgado pelo maior mestre de todos, o Flávio, sou desde então doutor em Jornalismo. Eta título que vale mais do que qualquer outro!

DVD do documentário Itinerários de um Repórter (2006)
Fonte: FERRARETTO, Luiz Artur. Itinerários de um repórter. In: GOMES, Flávio Alcaraz. Eu Vi!. Porto Alegre. Publicato, 2007. Orelha da contracapa.

P.S.: Não resisti. Chego em casa e assisto, de novo, Itinerários de um repórter. Na sequência, já sei qual será a minha leitura – ou releitura – noturna: Eu vi! E, contigo, Flávio, através do teu trabalho, todos vimos também.

Documentário Itinerários de um repórter (2007)
Fonte: FERRARETTO, Luiz Artur. Itinerários de um repórter. In: GOMES, Flávio Alcaraz. Eu Vi!. Porto Alegre. Publicato, 2007. DVD.
Direção: Luiz Artur Ferraretto.
Assistente de direção: Vera Méndez e Vinícius Carvalho.
Produção: Otto Bede.
Assistente de produção: Amanda Montagna, Candice Feio, Giliane Greff, Marcelo Steffen e Samantha Bonel.
Edição/pós-produção: Daniel Fernandes.
Imagens: Adelmo Prestes e Sérgio Cabral.
Programação visual: Marcos Juliano Riffel.
Sonoplastia: João Blattner e Otto Bede.

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