Arlindo Sassi e o Love Songs
2009

Uma observação de 2015 neste texto da década passada, anterior ao fim da Rádio Cidade: para não perder o fio da meada e em homenagem ao Arlindo Sassi e aos ouvintes do Love Songs, preferi não alterá-lo.

Luiz Artur Ferraretto


Arlindo Sassi (2009)
Fonte: Diário Gaúcho.

A voz de Arlindo Sassi já não lê mais cartas dos e das ouvintes. Em tempos de internet, são e-mails e torpedos em sua grande maioria as mensagens trocados pelos apaixonados no Love Songs, programa tão tradicional que superou alterações de programação e mesmo de controle acionário na Rádio Cidade FM, de Porto Alegre. Projeto dos tempos da rede de emissoras controladas pelo Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, o programa foi criado em 1984 como uma atração noturna, de mesmo nome e estilo, mas com produção local em cada estação jovem então sob controle da família Nascimento Britto.

– Foi uma ousadia. Tocar música romântica era considerado, então, brega demais. A Cidade tinha uma programação que era tida como qualificada e só começou a tocar coisas mais populares, como Alcione, por exemplo, porque entrou, no Rio de Janeiro, uma rádio chamada 98, fazendo isto, competindo e tirando o primeiro lugar da Rádio Cidade por lá. Eu, como tinha experiência de AM, fui escolhido em Porto Alegre para apresentar o Love Songs.

O programa estreou, assim, no dia 1º de setembro de 1984. Já no primeiro mês, o Love Songs tornou-se líder de audiência, posição mantida quase sempre desde então. Começa das 22 às 2h, só tocando música. Depois, Sassi vai incluindo a leitura de recados, cartas, pedidos de ouvintes, dedicatórias... Depois do primeiro mês, passa também a fazer a programação musical do Love Songs, puxando mais para o popular, que não era o padrão da Cidade na época. A voz aveludada de Sassi vai se transformar em uma marca do romantismo no rádio do Rio Grande do Sul. Nos meses seguintes à estreia do programa, as festas realizadas pelo comunicador em clubes na Grande Porto Alegre chegam a atrair 2 mil pessoas em uma única noite.

Com a aquisição da Cidade pelo Grupo RBS no início dos anos 1990, o Love Songs chega a ser considerado ultrapassado, mas retorna quando a emissora reposiciona-se buscando um ouvinte mais popular, uma atração que vai ao encontro dos ouvintes, na definição de seu apresentador:

– O programa funciona porque existe uma coisa básica do ser humano que é a procura do amor e externar este amor. Às vezes, o rádio é uma forma perfeita para que isto aconteça. Por que funciona? Por que eu tenho a audiência dividida entre homens e mulheres? Muita gente é capaz de imaginar que o Love Songs é ouvido só por mulheres. Não é. É praticamente meio a meio. Porque desde que o programa foi ao ar, eu procurei adotar uma postura diferente. Normalmente, o apresentador deste tipo de programa adotava uma postura de amante latino. No meu caso, eu procurei adotar uma posição de fio de navalha para servir de ponte entre quem está mandando e quem está recebendo. Em nenhum momento, eu procurei fazer aquela postura de voz sensual. Não é este o mote do programa. A ideia é servir de ponte.

Para exemplificar, Sassi conta a história de um ouvinte que conheceu, aos 16 anos, na primeira festa do programa no Partenon Tênis Clube, a futura esposa. Hoje, décadas depois, seguem juntos e com cinco filhos. Vez por outra ou mesmo com a frequência dos velhos conhecidos, ainda sonham, eles e mais 60 mil pessoas por noite, ouvidos colados no Love Songs, de Arlindo Sassi, que segue ali, de domingos a sextas, das 21 à 1h, na Cidade FM, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.


Arlindo Sassi
Entrevista realizada por Luiz Artur Ferraretto em 3 de novembro de 2003.


Abertura do Love Songs (12 de janeiro de 2004)
Fonte: RÁDIO CIDADE FM. Love Songs. Porto Alegre, 12 jan. 2004. Programa de rádio.


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