Aconteceu, o radioteatro em ritmo de programa policial
2007
Luiz Artur Ferraretto

Roteiro do programa Aconteceu (3 de junho de 1970)
Fonte: Acervo particular de José Fontes.

Dentro da programação implantada por Lorenzo Gabellini na Rádio Itaí AM, recursos de radioteatro são empregados, do final dos anos 1960 até a primeira metade da década seguinte, em atrações de teor popular e algo apelativas. A emissora forma um pequeno elenco, cujos integrantes chegam a se alternar nas funções de produtor, ator e diretor. O programa Aconteceu, radiofonizando rumorosos casos policiais, vai se constituir no de maior sucesso desta empreitada, da qual fazem parte também Você é o Juiz, colocando casos verídicos em julgamento pela audiência da rádio; Palavras Amigas, encenando cartas com problemas dos ouvintes, sempre incluindo uma espécie de aconselhamento final a título de solução; e a Vida é Assim, explorando acontecimentos cotidianos. Este recurso à colaboração do público confere veracidade aos relatos, mesmo que muitos sejam fruto da imaginação do produtor, como admite José Fontes, que, na época, escrevia a maioria dos roteiros irradiados:

– Alguns casos até eram verdadeiros. Tu criavas um, dois, três e, de repente, alguém te mandava alguma coisa. Mas o volume de produção era sempre maior do que as colaborações dos ouvintes e havia as imposições do patrocinador e da direção da emissora.

A audiência obtida leva a Difusora a contratar parte da equipe da Itaí, produzindo versões destes programas. A principal delas, correspondendo ao Aconteceu, é o Patrulha de Plantão. Para ouvir a opinião do público sobre as encenações, o repórter João Brito percorre, então, bairros da cidade, mostrando trechos gravados e colhendo depoimentos, que, editados, fazem o encerramento destas atrações.

De fato, desbravando o segmento popular estes programas, com destaque para o Aconteceu, são os antepassados das narrativas policialescas que fazem parte do conteúdo das rádios voltadas ao bom e velho povão.

2 comentários:

  1. Eu me lembro do programa Aconteceu. Achava até meio sensacionalista, mas mudei de opinião quando a rádio reproduziu com muita fidelidade um crime passional que aconteceu na manhã de uma segunda-feira, em provavelmente em janeiro de 1971, na frente da cooperativa da empresa Arrozeira Brasileira, localizada no então distrito de Capela de Santana-RS. O terrível assassinato, com quatro tiros, de uma jovem mulher, muito bonita e querida, chocou a nossa comunidade. Foi presenciado por funcionários, por uma tia e uma prima.

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