J. Antônio D’Ávila: um pernambucano revoluciona o rádio gaúcho
2005
Luiz Artur Ferraretto

J. Antônio D’Ávila, diretor artístico da Rádio Farroupilha (1952)
Fonte: Diário de Notícias, Porto Alegre, 29 jul. 1952. p. 8.

Em meados de 1952, ganhando Cr$ 63 mil, o maior salário do rádio do Rio Grande do Sul, o pernambucano Jesuíno Antônio D’Ávila assume a direção artística da Farroupilha de Porto Alegre. De início, procura identificar as potencialidades do elenco da PRH-2. A partir daí, promove uma revolução nas pêerres locais, até aquele momento fortemente influenciadas pelas transmissões das emissoras de Buenos Aires, de fácil captação em Porto Alegre. A compartimentalização dos programas das estações portenhas de matriz europeia dá lugar, assim, ao ecletismo, que já faz sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro, baseado, por sua vez, em modelos radiofônicos dos Estados Unidos. Fugindo ao hermetismo, mistura, em alguns horários, apresentações musicais, humor, dramatizações e o que for necessário para chamar a atenção do público.

Um dos exemplos desta mudança de enfoque é o Rádio Sequência, que unifica por meio de um locutor-apresentador as várias atrações levadas ao ar, até aquele momento, das 11h30 às 13h. D’Ávila implementa o Auditório Associado, espaço de excelência do espetáculo radiofônico dentro deste novo enfoque introduzido por ele. Por ali, vão passar atrações que, por vezes, alteram a rotina de almoço de dezenas de porto-alegrenses. São exemplos os humorísticos Escola da Dona Rita, Drama do Futebol e Banca de Sapateiro, além do comentário Dois Dedos de Prosa, de Manoel Braga Gastal. Em temporada na capital gaúcha, os artistas do elenco das rádios Tupi, de São Paulo e do Rio de Janeiro, começam a se dividir entre as apresentações à noite, horário nobre da programação, e breves participações no Rádio Sequência, uma servindo para chamar a outra.

Ao chegar, D’Ávila identifica uma carência local: à exceção de Ary Rêgo, do programa infantil de calouros Clube do Guri, faltam animadores. Em um primeiro momento, improvisa na função o ator e diretor de radioteatro Ernani Behs, que estreia em 8 de agosto de 1952 o Pare a Música, atração inspirada no Stop the Music, grande sucesso do rádio dos Estados Unidos. Um ano depois, contrata aquele que vai se tornar um dos mais populares animadores da história do rádio do Rio Grande do Sul. Começando pelo Pare a Música, Maurício Sobrinho destaca-se, a partir de então, em atrações como Calouros Coringa, de 1954, em que aspirantes a cantor disputam diversos prêmios todos os domingos, das 21 às 22h30; Tômbola Musical, de 1954 e 1955, aos sábados à tarde, com o refrigerante Coca-Cola patrocinando apresentações de astros e estrelas como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Dircinha Batista e Emilinha Borba; e o Programa Maurício Sobrinho, na mesma faixa da atração anterior e consagrando na sua denominação a popularidade já conquistada pelo apresentador.

Valorizando os profissionais do estado, D’Ávila consegue, também, convencer a direção nacional dos Associados a não utilizar em Porto Alegre produções gravadas no centro do país. Atende, deste modo, um anseio do público que, em 1952, envia dezenas de cartas reclamando da apresentação da radionovela O Direito de Nascer em versão gravada no centro do país e já transmitida pela Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.

Quando J. Antônio D’Ávila transfere-se para a Tupi, do Rio de Janeiro, em 1954, deixa, assim, uma estação modernizada com faturamento médio de Cr$ 1,5 milhão, fazendo valer o salário mensal pago a ele pelos Diários e Emissoras Associados, equivalente, na época, a 52 mínimos.

Um comentário:

  1. J, Antônio trás para Porto Alegre o Paulista Marcos Antonio Riso que. Foi um dos melhores
    Redatores que a Rádio do RS teve
    Marcos Riso atuou nos meios de comunicação até 1968 , Em 68 Riso coordenou o primeiro festival de música UniversitRia do Rio Grande do Sul ,

    ResponderExcluir