Os 30 anos da Rádio Universal FM
2007
Luiz Artur Ferraretto


Inauguração da Rádio Universal FM (17 de janeiro de 1977)
O diretor-geral da Rede Rio-grandense de Emissoras, Otávio Dumit Gadret, ao centro, apresenta os estúdios da Universal FM ao ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, à sua esquerda.
Fonte: Manchete, Rio de Janeiro: Bloch, ano 24, n. 1.303, p. 114, 9 abr. 1977.

Os 30 anos de uma das rádios mais importantes do Rio Grande do Sul passaram praticamente despercebidos. Também pudera: a situação da Universal FM, da Rede Pampa, é hoje bem diferente daquela de décadas anteriores, quando a emissora dos 97,5 MHz chegava a liderar a preferência dos ouvintes no segmento musical jovem. 

De início, no entanto, a Universal, como as demais estações em frequência modulada de então, volta-se para um outro tipo de público, mais adulto. Inaugurada pelo ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, em 17 de janeiro de 1977, a rádio, registra na época a revista Manchete, “é toda dirigida a um público de alto poder aquisitivo, com música criteriosamente selecionada”. A Universal, mesmo assim, já surge diferente. A respeito, Gadret vai recordar em uma edição comemorativa dos 60 anos do rádio brasileiro, organizada por outra revista, a Propaganda, em 1983:

– Nessa época, 1977, as rádios FM optavam por uma programação muito séria, só com músicas orquestradas e o próprio locutor era um tanto mórbido. A nossa estratégia foi fazer uma programação completamente antagônica àquela que vinha sendo feita até então. Só tocávamos músicas que também fossem cantadas, dávamos o nome da música e a hora certa ao fim de cada número, fornecíamos informações sobre o trânsito e valorizávamos bastante a música brasileira.

O sucesso da emissora em Porto Alegre vai levar o empresário a apostar nesta marca. Quando adquire, em 1978, um canal de FM em Florianópolis, este modelo da Universal – música com locução gravada – transfere-se para a capital de Santa Catarina, liderando durante um bom tempo a audiência na cidade. Esta outra Universal, tempos depois, seria negociada por Gadret.

Somente em 1983 a Universal FM vai optar pela comunicação ao vivo, com Júlio Fürst, pela manhã; Ivan Fritsche, à tarde; e Clóvis Dias Costa, à noite. A partir daí, a emissora passa a concorrer com força no segmento musical jovem. Com certa frequência, lidera a audiência. E sofre com as investidas da Rede Brasil Sul de Comunicação, que contrata, em seguida, a cada grande momento da FM de Gadret, os principais profissionais da emissora. É o que ocorre, por exemplo, em 1995. No primeiro semestre, com a Universal FM crescendo até atingir a liderança geral em junho, a direção da RBS leva Mauri Grando, responsável pelo bom desempenho da emissora da Rede Pampa. Ele redefine o perfil da Cidade FM, em uma estratégia que beneficia também a Atlântida FM, outra estação da família Sirotsky.

Pelo lado da Rede Pampa, então, uma forma de sustentar melhor a concorrência vai ser a associação, a partir de 1997, à Jovem Pan FM, de São Paulo, cujo sinal ocupa, primeiro, os 104,1 MHz e, poucos meses depois, os 97,5 MHz, onde antes se sintonizava a Universal. A marca retornaria, anos depois, quando Otávio Gadret adquire uma estação na cidade de São Francisco de Paula, cujo sinal chega à capital gaúcha. Hoje, a programação, sem a comunicação ao vivo e o brilho de outros tempos, lembra um pouco aquela de três décadas, a dos tempos iniciais da Universal.

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